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7 motivos para assistir Twin Peaks, 25 anos depois do final da série

13 de março de 2017, por Márcia Tirésias
Cinema & TV
Twin Peaks

Em 1991, no último capítulo da segunda temporada da série Twin Peaks, criada por Mark Frost e David Lynch, o espectro de Laura Palmer faz uma profecia ao agente Dale Cooper: “Eu te verei de novo em 25 anos.”

Em 2016 completaram-se 25 anos desde a interrupção precoce da série de TV Twin Peaks. Apesar de ter sido considerada um marco na história da teledramaturgia americana e ter gozado de enorme sucesso na época de sua exibição, estes 25 anos de silêncio fizeram com que sua fama diminuísse.

A boa notícia é que a série voltará às telas de TV em maio desse ano. A profecia de Laura Palmer se cumprirá em 2017! Houve um pequeno atraso de um ano, devido a questões relacionadas a negociações contratuais entre o diretor David Lynch e a emissora Showtime.

Aproveitando o momento, vale a pena ver (ou rever) a série, além de aguardar a chegada da nova temporada. Assistir Twin Peaks significa se deliciar com sua criatividade e se amedrontar com seus terrores, ainda intensos e impactantes depois de tanto tempo. Além disso, para quem ama o retrô, é uma experiência agradável. Seguem 7 fatos que explicam isso:

1 – A série inaugurou a “Era de Ouro” da TV

Hoje em dia fala-se bastante da “era de ouro” da TV americana. Os roteiros inteligentes migraram do cinema para as emissoras, além de diretores e atores renomados. Hoje é a tela da TV que exibe produtos de grande qualidade. Séries como Game Of Thrones, Stranger Things e House of Cards são exemplos. O que talvez poucos saibam é que Twin Peaks foi a inauguradora desta onda, lá em 1989.

Antes de Twin Peaks, o que se via na TV era de pouca profundidade, com algumas honrosas exceções como Twilight Zone (Além da Imaginação) ou I, Claudius (Eu, Cláudio). Foi para fazer Twin Peaks que o renomado diretor de cinema David Lynch deu um tempo com os filmes para se dedicar como roteirista e diretor de uma “telenovela”. Na época ninguém entendeu muito bem o que deu na cabeça dele e parecia que sua fama de excêntrico mais uma vez ia se fazer presente.

 Twin Peaks

“Welcome to Twin Peaks” (Foto: Reprodução)

2 – Ainda soa moderna nos dias de hoje

A inovação era tanta que crítica e público ficaram estupefatos. A série registrava picos de audiência, enquanto que os jornais e revistas especializadas (principais fontes de informação antes da internet) especulavam quem poderia ser o assassino de Laura Palmer.

Twin Peaks apresentava elementos muito fora do comum: história complexa com várias subtramas (Lynch precisava usar um banco de dados de PC para manter controle sobre os eventos, algo inovador na época), personagens de moralidade difusa, temas tabu, crítica feroz ao falso moralismo norte-americano… O que hoje é até um tanto corriqueiro nas séries voltadas para público adulto, na época representava uma bofetada na cara de um público acostumado com enlatados simplórios.

3 – Sabe ser aterrorizante

Mesmo tendo sido exibida há mais de 25 anos, seu terror não envelheceu. Seus momentos mais angustiantes ainda chocam os espectadores, coisa rara quando se fala de terror e suspense, gêneros marcados pelo envelhecimento rápido. De fato, uma série que mistura assassinato de jovens, incesto, pedofilia, possessão por espíritos malignos, doppelgangers, drogas e corrupção soaria perturbadora ainda nos dias de hoje.

4 – Indiscutivelmente retrô!

Como boa parte das obras de Lynch, Twin Peaks trabalha o tema da perda da inocência. E para representar essa ideia de “inocência”, ele usa a década de 50 como referência. Os jovens da cidade parecem ter saído do filme Juventude Transviada. As saias xadrez, a lanchonete, a jukebox, o jovem rebelde de casaco de couro e brilhantina…. Está tudo ali. E, como tudo na série, há neles uma aparência inicial de pureza que aos poucos vai se dissipando e revela algo sinistro e maligno.

Audrey Horne dança ao som da jukebox

Audrey Horne dança ao som da jukebox (Foto: Reprodução)

5 – É David Lynch no seu auge

Twin Peaks foi o auge de um ciclo criativo muito rico de David Lynch, iniciado com O Homem Elefante ainda na década de 70, passando por Veludo Azul e culminando por fim na série. Suas bizarrices estavam a serviço da sua criatividade, com momentos inesquecíveis como as sequências de Sonho e Black Lodge.

Uma quantidade enorme de personagens excêntricos jorrava da história, evocando forte sensação de bizarria. A parceria com o roteirista Mark Frost foi muito produtiva, pois Frost equilibrava as sandices de Lynch com um roteiro bem amarrado e cadenciado.

6 – As sequências de Sonho e Black Lodge

As sequências de Sonho e Black Lodge estão entre os melhores momentos de Twin Peaks. Com técnicas simples e até artesanais, Lynch consegue criar um ambiente “fora da realidade”, assustador e envolvente. Um exemplo interessante destas técnicas era a maneira como eram criadas as vozes fantasmagóricas das aparições.

Antes das cenas os atores gravavam seu texto falando de trás para frente, por exemplo, falando “ASAC” ao invés de “CASA”. Depois, durante as cenas, eles dublavam sua própria voz gravada anteriormente, só que reproduzida de trás para frente mais uma vez. O resultado eram as palavras do texto original ditas de uma forma muito estranha:

7 – É uma oportunidade de ver David Duchovny travestido

David Duchovny, ainda na época um ator desconhecido, antes de estourar em Arquivo X como o agente Mulder, faz o papel de uma agente do FBI transgênero, Denise Bryson. Na cena de sua aparição inicial, Cooper, que não sabia da transição, encontra Denise e pergunta, estupefato: “Dennis?”. E ela responde: “eu prefiro Denise, se você não se importar.” Impagável! E destaca-se a produção da moça: maquiagem, lábios, cabelos…

David Duchovny

David Duchovny como agente Denise Bryson (Foto: Reprodução)

“Eu te verei de novo em 25 anos”

Em 1991 a série infelizmente foi interrompida após o término da segunda temporada, justamente em um dos momentos mais chocantes e eletrizantes. A justificativa da emissora foi a perda de audiência, ocorrida após as sucessivas mudanças de horário de exibição motivadas pelas cenas fortes. A boa notícia é que está previsto para maio desse ano a estreia do revival de Twin Peaks, pela emissora de TV a cabo Showtime.

Vários atores da série original participaram das filmagens, incluindo, Kyle MacLachlan (agente Dale Cooper), Sheryl Lee (Laura Palmer) e Sherilyn Fenn (Audrey Horne). A ver o que reserva esta terceira temporada tardia! Há evidências que os melhores momentos artísticos de Lynch ficaram para trás. Atualmente ele filma com menor frequência e já tem seus 71 anos. Mas os fãs da série, que ficaram órfãos em 1991, estão ansiosos para saber como a história termina!

Twin Peaks revival

Twin Peaks revival – It’s happening again (Foto: Divulgação)

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