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A influência neo rockabilly no movimento rocker brasileiro

4 de fevereiro de 2016, por Eduardo Molinar
Música
Policats

Em meados dos anos 70, o rockabilly era dado como “morto” na América e sobrevivia na Inglaterra por meio da cena teddy boy que, bravamente, resistia frente às mudanças da música em geral. Em Londres, bandas como Crazy Cavan and the Rhythm’n’Rockers e Flyin’ Saucers tocavam no circuito rock and roll e teddy boy desde o início da década e mantinham o som americano sulista original dos anos 50. Mas a partir do início do início do movimento punk na Inglaterra, alguns teddy boys decidiram misturar o som novo àquele originário dos anos dourados e criaram um novo movimento: o neo rockabilly.

O punk rock é, no geral, como uma vez afirmou Jerry Nolan, uma volta às músicas enérgicas de 2 a 3 minutos no máximo. Os próprios Ramones possuíam elementos musicais e visuais dos roqueiros dos anos 50. Mesmo que os teddy boys resistissem ao mainstream da música do final dos anos 70, eles eram vistos pela mídia como “antigos” e pertencentes ao passado, embora a maioria soubesse que não era bem assim.

Então, para não serem acusados de estarem parados no tempo, jovens londrinos começaram a montar suas bandas de rockabilly com topetes extravagantes, roupas coloridas e/ou rasgadas, e misturando o som de Elvis Presley e Eddie Cochran à batida dos Ramones e aos sintetizadores que a new wave começara a proporcionar.

Levi and the Rockats

Levi and the Rockats nos Estados Unidos. A partir dos anos 80, eles misturariam new wave com rockabilly e criariam um som mais diferente ainda que as outras bandas de neo rockabilly (Foto: Reprodução)

A partir de 1977 surgem Levi and the Rockats e The Polecats na Inglaterra. Nos Estados Unidos, emergindo da cena punk nova-iorquina, Robert Gordon and Link Wray e The Cramps (a quem é creditado a criação do psychobilly) começam a fazer barulho e mexer com um público jovem que não tinha uma ideia bem formada do rockabilly. Logo apareceriam os Stray Cats, também americanos, que iriam estourar primeiro na Inglaterra para depois voltarem aos Estados Unidos e se tornarem parte do mainstream. Além dessas, muitas outras bandas como The Jets e Blasters iriam compor o movimento.

Aqui no Brasil, onde movimentos do underground fervilhavam principalmente em São Paulo, o neo rockabilly também ganhou muitos adeptos. Segundo relatos de pessoas como Rick N Roll e Viviane Dalamarta (conhecida também por Grega), o neo rockabilly praticamente “criou” o movimento rocker no nosso país com bandas como Coke Luxe e Grilos Barulhentos.

As primeiras gangues rockers surgiram logo em 1979-1980, misturando elementos do rockabilly dos anos 50 com o dos anos 80. Muitos jovens que faziam parte de outros movimentos como punk e gótico passaram a se interessar pelo “novo” movimento na praça.

Stray Cats

Stray Cats: cabelos compridos, sombra nos olhos e brincos. A banda que mais influenciou o movimento rocker no Brasil (Foto: Reprodução)

Parte da história do neo rockabilly internacional, e toda a sua influência no movimento rocker brasileiro, será contada no livro Rockabilly Brasil. Haverá depoimentos exclusivos de Levi Dexter, Tim Polecat e até Ronnie Weiser sobre os acontecimentos que levaram o rockabilly mais uma vez a ganhar holofotes. O livro tem previsão de lançamento para março em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

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2 Responses

    1. Eduardo

      That’s right, Andrew. And the Polecats are also cool because they made a mix of rockabilly, punk rock and, after, synthesizers. They’re real gone guys!

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