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Betty Boop – dossiê de uma das personagens mais polêmicas do século XX

27 de abril de 2016, por Livia Costa
Design
BEtty Boop

Era uma época crescente e próspera, depois do pós-guerra, as mulheres tomaram conta do mercado de trabalho, frequentavam os clubes e tiveram quase que os mesmos direitos dos homens. A mulher então se torna sexualmente liberada, com cabelos curtos, fumante, se entregando ao ritmo do charleston e do jazz, e finalmente conquista o direito ao voto.

Eis que em 9 de agosto de 1930, estreava na Paramount Pictures uma personagem que mais tarde se tornaria um forte símbolo feminino, inspirando e despertando desejos. Criada na Feischer Studios, Betty Boop era uma clara caricatura e fruto do reflexo que o poder feminino na década anterior teve.

Após as primeiras aparições, Betty Boop foi redesenhada oficialmente, passando ser agora uma humana. Antes a personagem havia apenas um papel secundário, não havendo nem mesmo um nome ou apelido, só em 1932 ganharia o nome de Betty. Ela era uma espécie de poodle francês antromorfizada, ou seja, metade cão e a outra metade humana.

As orelhas por exemplo, foram logo substituídas por um belo par de brincos em formato de argola, e se delineou-se um corpo voluptuoso e curvilíneo. Podemos até dizer que a personagem é em características, uma pin-up (lembrando que o termo foi documentado apenas nos anos 40, apesar de haverem relatos de figuras femininas com tais características ainda no final do século XIX).

Betty Boop

Betty Boop ainda com características de cachorro (Foto: Reprodução)

Dizem que a mulher por trás da roupagem da personagem foi a cantora e atriz Helen Kane, com cabelo ondulado, curto e escuro, sobrancelhas extremamente finas e definidas, olhos grandes e demarcados com rímel e por fim o batom vermelho em formato de coração, muito usado pelas mulheres na década de 20.

Assim como Betty, Helen Kane despertava fascínio, fazendo bastante sucesso com suas canções que, inclusive fez Betty Boop em uma das animações exibidas, cantar a musica “Boop-Oop-a-Doop-Girl” de Kane. Embora alguns afirmem que Clara Bow também foi tida como referência para a criação da personagem, foi de Kane que o corpo com curvas, a voz suave de uma criança, e estilo ingenuamente sensual e “sapeca” tornou-se fundamental para a base de Betty.

As meras semelhanças eram tão evidentes que fizeram até Helen ir para os tribunais, alegando competição injusta e apropriação inadequada contidas no desenho em 1934, mesmo ano em que a personagem passava por modificações e problemas. De acordo com o código de produção, censurou-se a personagem em nome de códigos morais e duvidosos, uma vez que Betty tinha apenas entre 13 e 16 anos nos desenhos originais de 1932 e 1934.

Com o clima dos desenhos infantilizados da Disney, e a partir das novas regras moralistas ditadas pelo código Hayes de Hollywood, mais uma vez Boop é modificada, seu vestido milimétrico para a época, agora é coberto até o pescoço, mas suas roupas ainda eram justas tornando-se ainda mais sensual, fazendo com que em 1939, saísse o seu veredito final, sendo proibido a exibição dos desenhos nas telas dos cinemas.

Apesar de negações por parte dos autores, Helen Kane sim foi a inspiração oficial, tais evidencias estão testemunhadas em um rascunho de Grim Natwick, com a personagem ainda sem um nome definido na época, segurando revolver, fazendo uma referência a pistoleira Nan McGrew, personagem interpretada por Kane no filme “The Dangerous Nan McGrew”. E ao que tudo indica, a atriz e cantora foi de fato injustiçada no tribunal.

Sua imagem retornaria em vigor a partir dos anos 80, com o filme “Uma cilada para Roger Rabbit”, ensaiando um retorno de um sucesso aos poucos, e que mais tarde teria um novo projeto de animação. Hoje, há vários produtos licenciados e estampados com a marca Betty Boop, seja em materiais escolares e roupas, vemos que aquela provocação inocente e instigante, combinados com os traços de cartoon antigo da personagem, ainda ganha respeito e admiração.

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