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Com a mais antiga chopeira em funcionamento de São Paulo, bar de 1958 lança menu de pizzas

28 de março de 2017, por Jane Galaxie
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Com a mais antiga chopeira em funcionamento de São Paulo, o Bar Dois Irmãos, em funcionamento desde 1958, está mais paulistano do que nunca. Agora, além de “um chope, dois pastel” e outros clássicos de boteco, quem passar pelo histórico bar do Campo Belo, na zona sul de São Paulo, poderá pedir uma das receitas mais queridas da cidade, a pizza. Nesta sexta (17), o bar inaugura um espaço com forno a lenha napolitano e um menu com 26 coberturas de pizza.

Os discos podem ser pedidos nos tamanhos “caçulinha” (versão pequena, a partir de R$ 32, com 4 pedaços) ou “brother” (a grande, com 8 pedaços, a partir de R$ 52). As pizzas podem vir, ainda, como aperitivos, para compartilhar com os amigos entre um chope e outro da casa. Com massa leve, fina e crocante, feita a partir de farinha de trigo refinado, com fermentação natural e assada no forno a lenha, os sabores vão dos clássicos (aliche, mozarela, calabresa, portuguesa, quatro queijos, romana, atum) aos mais originais.

A casa traz novidades como a Pizza do Boy, criada por um dos sócios (carpaccio, molho especial de mostarda, alcaparrinhas e parmesão, R$ 36 e R$ 56), Pizza do Marcelão (pancetta, cogumelos-de-paris e mozarela, pode vir também com shiitake, R$ 38 e R$ 58) e a pizza da casa, a Dois Irmãos (que reúne calabresa artesanal picadinha na faca, mozarela, folhas de manjericão e azeitonas pretas, R$ 36 e R$ 56).

A Pizza do Marcelão, uma das novidades do menu, é preparada com pancetta, cogumelos-de-paris e mozarela (Foto: Mario Rodrigues)

A Pizza do Marcelão, uma das novidades do menu, é preparada com pancetta, cogumelos-de-paris e mozarela (Foto: Mario Rodrigues)

O bar homenageia outro ícone da cidade, a pizzaria Venite, fundada por João Malagueta e que funcionou por quase 60 anos na Vila Mariana, e inclui sabor homônimo no menu. A Venite combina pesto de manjericão, finas fatias de tomate e mozarela (R$ 34 e R$ 54). Bem-humorado, o cardápio alerta que a Murillo (recheio de ovos de codorna, cebola caramelizada, parmesão, pancetta e pimenta-do-reino, R$ 36, disponível apenas na versão caçulinha) é uma pizza que passou, com louvor, na OAB (Ovos and Bacon) e que a Bafo de Maçarico (molho de tomate, alho e parmesão, R$ 34 e R$ 54) é à prova de vampiro.

Humor e sabor fazem parte da história da casa. Criado em 1958, o Bar Dois Irmãos é uma verdadeira instituição paulistana. Dentre as preciosidades, a casa tem a mais antiga chopeira em funcionamento da cidade. O bar, fundado pelos irmãos portugueses José e Manuel de Souza e tocado hoje por ex-frequentadores e moradores do bairro, é reconhecido como um dos melhores chopes e de colarinho mais cremoso de São Paulo.

Foto: Mario Rodrigues

Foto: Mario Rodrigues

A tradição do chope bem tirado

A chopeira permanece intacta ao lado de outras relíquias da casa, como um gramofone e uma serpentina tão antiga quanto a própria casa. Além da qualidade do chope, a forma de servir faz toda a diferença ao degustar a bebida. Esse processo é feito manualmente, até hoje, por verdadeiros experts na arte, que comandam há décadas as tulipas do bar. Chope, como dizem os especialistas na arte, tem de ser bem tirado.

Claro e brilhante, o chope é uma bebida mais fresca e saborosa que a cerveja. É uma cerveja não-pasteurizada, que sai do barril empurrada pela pressão do gás carbônico proveniente de cilindros e controlada pelas torneiras da chopeira. Tudo no Dois Irmãos segue o ritual de antigamente. Nas taças do tipo Tulipa, já devidamente geladas, o profissional tira o chope calmamente, com temperatura em torno de 1ºC. O tempo de preparo é pelo menos o dobro das atuais chopeiras.

Ao “cremar”, o profissional deixa que parte do colarinho transborde e escorra pela caldereta até eliminar as bolhas grandes. Este procedimento evita que o colarinho desapareça rapidamente. É a garantia de um chope cremoso por muito mais tempo. O bico da chopeira jamais deve entrar em contato com o líquido ou com o colarinho. O colarinho deve ter 3 dedos. Com a espátula, tira-se o excesso.

Chope bom tem um creme denso e consistente e não uma espuma, explicam os especialistas do Dois Irmãos, que há mais de meio século servem aos bons de copo. “O chope aqui é um verdadeiro ritual e, por isso, é um bar tão querido, até hoje, por moradores, cervejeiros, famílias, turistas. Fizemos uma reforma apenas para tornar o menu mais versátil, mas jamais abrir mão dessa autenticidade. Até porque, antes de virarmos sócios, sempre fomos clientes do bar“, explica Tiago Botelho, um dos novos sócios do Dois Irmãos, que morou no bairro por 26 anos e frequenta o bar desde sempre.

Ar nostálgico na decoração do bar

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

O espaço foi remodelado pela arquiteta Thais Bittencourt. Dividido em 3 salões, o da entrada mantém o ar nostálgico, com azulejos em branco e preto, remetendo aos tempos de armazém e aos antigos donos, os irmãos portugueses, e o imponente bar com as históricas chopeiras, a original e uma réplica. No último e amplo salão, há um forno a lenha napolitano, decorado com ladrilhos coloridos. Um painel com jardim suspenso, com samambaias e outras plantas tropicais.

O menu mantém os clássicos de boteco, como o tradicionalíssimo bolinho de bacalhau do Seu Zé, o fundador, a calabresa acebolada, os pasteizinhos, e até algumas inovações feitas no forno a lenha, como berinjelas grelhadas e corniciones crocantes. Aos fins de semana, oferece bufê de feijoada e música ao vivo. Ambiente para um almoço ou jantar caprichados, happy hour ou simplesmente a saideira. Petiscos e chopes para apreciar sem pressa, nem pretensão. Menu simples, autêntico e cativante, como a verdadeira alma dos botecos paulistanos.

SERVIÇO
Bar Dois Irmãos
Rua Demóstenes, 55 – Campo Belo – São Paulo SP

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