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Mulheres na Segunda Guerra Mundial: os dois lados da moeda

15 de setembro de 2016, por Julie Gonçalves
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Mulheres Guerra

Diferente da atuação das mulheres na Primeira Guerra Mundial, que eram basicamente trabalhadoras em fábricas de suprimentos em geral, inclusive de guerra e que, de certa forma, mantinham o giro da economia, durante a Segunda Guerra Mundial, as mulheres passaram a atuar como enfermeiras, espiãs e até mesmo a receber patentes e cargos no exército. Hoje você conhecerá um pouco sobre a atuação de algumas mulheres nazistas e de um grupo de corajosas mulheres que ajudaram a combater este obscuro e trágico acontecimento que marcou para sempre a história do mundo.

Regimentos da URSS compostos apenas por mulheres

Criado em 1942 com o objetivo de bombardear as forças alemãs na União Soviética, o regimento era composto unicamente por mulheres, desde as mecânicas, planejadoras de missões e aviadoras. A coronel Marina Mikhailovna Raskova, uma das pilotos mais experientes da URSS, comandava um curso de formação de aviadoras a todas as mulheres que se inscreviam voluntariamente. Todas essas mulheres passavam por uma avaliação e eram destinadas a um dos três regimentos de Raskova, podendo ser o 586º Regimento de Caças, o 587º Regimento de Bombardeiros e o 588 º Regimento de Bombardeio Noturno, que ficou conhecido como as Bruxas da Noite.

As Bruxas da Noite

As Bruxas da Noite

As Bruxas da Noite era um grupo composto em sua grande maioria por jovens moças (Foto: Reprodução)

O regimento, composto em sua grande maioria por jovens moças, recebia treinamento em Engels (uma pequena cidade ao norte de Stalingrado) e elas pilotavam velhos aviões biplano PO-2 feitos de madeira e lona que mal atingiam 150 km/he, claro, seus ataques eram realizados sempre durante a noite. Essas moças ficaram conhecidas não apenas pela coragem, mas também pela técnica e estratégia usada durante os combates. Foram capazes de burlar até mesmo o “Circo Antiaéreo” projetado pelos nazistas, nos quais armas e holofotes ficavam dispostos ao redor dos principais alvos de ataques e abatiam qualquer aeronave que cruzasse a área.

As Bruxas da Noite costumavam atacar em grupos de três e ao se aproximarem do alvo desligavam os motores e planavam, na intenção de atrair menos atenção. Quando estavam acima do alvo, duas das aviadoras ligavam os motores e atraiam a atenção dos holofotes e guardas da base, enquanto a terceira lançava os mísseis no local. Seus ataques eram tão bem sucedidos que os alemães passaram a temê-las e as apelidaram de bruxas da noite justamente pelo som que a lona do avião fazia quando planavam, diziam que o som lembrava o das vassouras de bruxas ao vento. Essas corajosas mulheres tiveram uma importantíssima participação na queda da Alemanha durante a II Guerra Mundial.

As terríveis mulheres nazistas

Essas mulheres, sem dúvida nenhuma, serviram para mostrar que a crueldade dos nazistas não se restringia apenas aos homens. Mas o quê levaria essas mulheres a praticar tantos crimes e atrocidades contra pessoas inocentes? Este é o tipo de pergunta que ninguém conseguiria responder com exatidão. Assim como não conseguimos explicar o que motiva os assassinos seriais que estamos “acostumados” a ver por aí.

Ilse Koch

Ilse Koch

Ilse Koch colecionava pedaços de pela tatuada dos prisioneiros que matava (Foto: Reprodução)

Nascida em 22 de setembro de 1906 em Dresden, Alemanha, Ilse era filha de fazendeiros. Na adolescência acabou abandonando a escola e indo trabalhar em uma livraria, onde conheceu a ideologia nazista e passou a se relacionar com alguns soldados da AS. Em 1936 aos 30 anos de idade e completamente envolvida com a ideologia nazista, passou a trabalhar como guarda e secretária no campo de concentração de Sachsenhausen, onde conheceu seu futuro marido, o comandante Karl Otto Koch.

Um pouco mais tarde, em 1937, Ilse se dirigia a Buchenwald agora não como guarda, mas como a esposa do comandante. Inundada pelo poder e confiança que o cargo do marido propiciava, Ilse começou a humilhar, torturar, fazer experiências médicas nos prisioneiros e, ainda mais bizarro, passou a colecionar pedaços de pele tatuada que arrancava dos prisioneiros após matá-los. Ilse passou vários anos na prisão e com 61 anos acabou se suicidando na cela.

Irma Grese, a “Bela Besta”

Irma Grese

Irma Grese tinha um comportamento extremamente sádico e gostava de torturar belas prisioneiras (Foto: Reprodução)

Nascida em 7 de Outubro de 1923 em Wrechen, Alemanha, Irma teve uma infância tranquila como a de qualquer criança comum e era dotada de grande beleza física. Nunca teve muito interesse pelos estudos e abandonou a escola aos 15 anos. Mais tarde tentou se formar como enfermeira em um Hospital da SS, mas não obteve sucesso.

Em 1942, com 18 anos, se voluntariou ao treinamento no campo de Ravensbruck, o que causou profunda desaprovação por parte de seu pai, que veio a expulsá-la de casa após o ocorrido. Entre 1943 e 1945, Irma atuou em Auschwitz, Ravensbruck e Bergen-Belsen, espalhando terror por onde quer que fosse. Irma tinha um comportamento extremamente sádico e gostava de torturar belas prisioneiras, causando-as cicatrizes eternas (físicas, mas principalmente mentais). Prostrava-se imponente perante milhares de prisioneiras e com seu chicote açoitando e selecionando novas vítimas para suas práticas sádicas.

Outra prática bastante comum de Irma era espancar prisioneiras deixando-as impossibilitadas de se levantar ou lutar e atiçar cães famintos e raivosos sobre as vítimas. Foi condenada à forca em 1945 com apenas 22 anos e sua última palavra ao carrasco foi “Rápido”.

Herta Oberheuser

Herta Oberheuser

Herta Oberheuser condenada a 20 anos de prisão no julgamento de médicos (Foto: Reprodução)

Nascida em 15 de Maio de 1911 em Colônia, Alemanha, Herta foi médica no campo de concentração de Ravensbrück, de 1940 até 1943. Ficou conhecida por experiências médicas terríveis e pela morte de milhares de prisioneiros. Com foco na cura de feridas de combates sofridas pelos soldados, Herta simulava os ferimentos de forma cruel nos prisioneiros, inserindo em seus corpos enormes farpas de madeira, pregos enferrujados, amputações e muita sujeira para que os ferimentos infeccionassem e gangrenassem. Foi a única ré do sexo feminino no julgamento de médicos nazistas, mas por falta de provas, foi condenada a 20 anos de prisão, os quais não cumpriu, e morreu causas naturais.

Maria Mandel, a Besta de Auchwitz

Maria Mandel

Maria Mandel foi uma guarda feminina de alta patente da SS nazista e serviu em Auchwitz (Foto: Reprodução)

Nascida em 10 de janeiro de 1912 em Münzkirchen, Áustria. Foi uma guarda feminina de alta patente da SS nazista e serviu em Auchwitz. Estima-se que tenha sido responsável diretamente pela morte de 500.000 mil mulheres entre judias, ciganas e prisioneiras políticas. Era responsável pelo controle de todos os campos de concentração femininos e tinha pleno poder sobre prisioneiras e subordinadas. Era cruel, temida e sádica e ficou conhecida entre as prisioneiras como “Besta de Auchwitz”. Apaixonada por música clássica criou a famosa orquestra de Auchwitz que era formada por prisioneiros e os fazia tocar a cada grupo que mandava para execução nas câmaras de gás. Em 1948 foi capturada, julgada e condenada à morte com apenas 36 anos de idade.

SERVIÇO
Dica de Canal do Youtube.
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Dica de Livro
As Mulheres do Nazismo – Wendy Lower

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