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Novo filme de Jude Law e Colin Firth retrata efervescência literária de Nova Iorque nos anos 20

26 de setembro de 2016, por Rafaella Britto
Cinema & TV

O charme das melindrosas, o cinema mudo, o ritmo frenético das jazz-bands: a década de 1920 foi dominada pelo espírito de liberdade. Nesta época, a cidade de Nova Iorque era o principal centro da agitação norte-americana. Ali, concentravam-se os teatros, os clubes, os cafés e os cinematógrafos. Dali surgiam também nomes consagrados da literatura mundial. E é essa efervescência poética desta geração que é retratada no filme O Mestre dos Gênios, cinebiografia do escritor Thomas Wolfe, que chega aos cinemas brasileiros no dia 20 de outubro, e que nós, do Universo Retrô, já fomos conferir, em cabine especial para imprensa.

Baseado no livro “Max Perkins: Editor of Genius”, de A. Scott Berg, O Mestre dos Gênios narra a história de amizade entre Thomas Wolfe (Jude Law) e o renomado editor literário Maxwell Perkins (Colin Firth). Wolfe concluiu sua graduação em Harvard e decidiu lançar-se profissionalmente na carreira de escritor. Seus longos romances, que chegavam a 5 mil páginas, foram rejeitados pelas principais editoras ao redor de Nova Iorque. Porém, após anos de insucesso, a força poética de sua obra foi notada por Perkins (que, com seu olhar apurado para a descoberta de grandes gênios, lançou ao mundo os imortais F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway).

Foto: Divulgação

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Seu primeiro romance, “Look Homeward, Angel”, publicado em 1929, arrebatou a crítica. Wolfe tornou-se um dos grandes talentos de sua geração e continuou a escrever até sua trágica morte prematura, aos 37 anos, vítima de tuberculose. Por sua prosa impressionista, musical e de caráter autobiográfico, Wolfe é considerado um dos maiores escritores em língua inglesa do século 20. Por cinco anos, o autor manteve um conturbado caso amoroso com a figurinista Aline Bernstein (no filme, interpretada por Nicole Kidman).

Aos mais de 40 anos de idade, casada e mãe de duas filhas, Bernstein deixou sua família para viver com Wolfe, 18 anos mais jovem. O relacionamento foi marcado por uma intensa parceria artística, conflitos e crises de ciúmes. “O filme é cheio de diálogos requintados que realmente mergulham profundamente nos porquês das situações”, diz Kidman. “Por que alguém escolhe estar com outra pessoa e o que eles tiram dessa relação. Por que eles não se desligam. Esta é uma questão muito particular para Aline.”, completa.

Foto: Divulgação

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Ao longo de sua carreira, Aline Bernstein colecionou prêmios por seus trabalhos em famosas produções da Broadway e venceu o Tony de Melhor Figurino em 1949 pela ópera “Regina”, de Marc Blitzstein. Em momentos de interlúdio, o filme conta ainda com a breve participação de outros personagens centrais da literatura norte-americana, como F. Scott Fitzgerald (Guy Pearce), Zelda Fitzgerald (Vanessa Kirby) e Ernest Hemingway (Dominic West).

Com roteiro de John Logan (“Gladiador”, “O Último Samurai”, “O Aviador”, “A Invenção de Hugo Cabret” e “007 Spectre”), “O Mestre dos Gênios” marca a estreia de Michael Grandage na direção cinematográfica. Um dos mais proeminentes diretores teatrais deste século, Grandage, por dez anos, esteve à frente da direção artística do teatro Donmar Warehouse, em Londres, e, atualmente, dirige sua própria companhia, a Michael Grandage Company.

Foto: Divulgação

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Em seu primeiro longa-metragem, Grandage transpôs recursos do teatro para as telas, proporcionando aos atores um período de duas semanas de ensaio. “Há regras básicas de teatro que caem bem também no cinema, mas que muitas pessoas tendem a esquecer”, conta a atriz Laura Linney. “Ensaio é absolutamente uma delas. Há uma tranquilidade e um relaxamento no set porque as pessoas não estão amedrontadas, e Michael trabalhou intensamente para fazer com que nós nos sentíssemos seguros”.

Mais do que o enredo, o destaque de “O Mestre dos Gênios” está na direção de arte, que reconstitui de maneira impecável a estética da década de 1920. “A trilogia O Poderoso Chefão teve uma influência direta”, explica Grandage. “Estava tão clara para mim aquela paleta de cores e de iluminação, eu a vejo como uma obra de arte. Gordon Willis fez vários filmes que eu admiro, e quando eu estava me preparando para esse filme eu descobri que ele era o diretor de fotografia para quem eu sempre me voltava para inspiração. Ele fez um filme chamado A Trama (1974), que, por incrível que pareça, me deu toda a linguagem que eu precisava para as cenas do escritório. Ele parecia sempre colocar a câmera onde uma outra pessoa deveria estar, observando a cena.”, completa.

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A precisão histórica dos cenários e figurinos contribuiu para situar os atores no tempo em se desenrola a narrativa. Para Laura Linney, “você está em outra época, e é uma época que é, de várias maneiras, alienígena para nós que vivemos nos dias de hoje. Ajuda a justamente amenizar o estranhamento e a descrença. Ajuda muito encontrar seu personagem com o figurino”. Os figurinos são de Jane Petrie, figurinista que desempenhou trabalhos aclamados em outros dramas históricos, dentre eles, o recente “As Sufragistas”, com Meryl Streep.

Jude Law (BAFTA por “The Talented Mr. Ripley”) diz que “há uma adorável liberdade quando você entra no filme e no tempo do filme e, subitamente, você está livre das restrições da modernidade”. A atuação de Law é performática. Colin Firth (Oscar por “O Discurso do Rei”), por sua vez, encarna o editor mais devotado ao seu trabalho do que a sua própria vida particular. A personalidade extravagante de Wolfe contrapõe-se ao conservadorismo de Perkins, e, embora tenham personalidades distintas, a amizade desenvolvida entre os dois homens possui caráter quase romântico.

Foto: Divulgação

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“Max Perkins precisava de Thomas Wolfe tanto quanto Thomas Wolfe precisava de Max Perkins”, diz o biógrafo A. Scott Berg. “O que é um editor como Max Perkins sem um Thomas Wolfe? Essa máquina de palavras, descontrolada e incontrolável, que simplesmente fazia brotar literatura. Foi uma grande simbiose entre esses dois grandes homens.”

Sob o olhar de Grandage, a teatralidade dita o tom da narrativa, permeada, do início ao fim, por diálogos poéticos e eruditos. Por esta razão, o público poderá julgar o filme um tanto monótono. Certamente, talvez a obra, por seu formato, coubesse melhor nos palcos do teatro do que na linguagem cinematográfica. Ainda assim, “O Mestre dos Gênios” promete atiçar a curiosidade dos amantes da literatura.

Confira o trailer a seguir:

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