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Após 25 anos da vinda dos Stray Cats ao Brasil, a banda continua influente na cena rockabilly brasileira

8 de novembro de 2015, por Eduardo Molinar
Música
Banda Stray Cats

O Rockabilly no Brasil se tornou um movimento propriamente dito no início dos anos 80, e teve como uma das suas bases o ainda desconhecido neorockabilly. Esse “novo” estilo, que foi trazido à tona na cena teddy boy inglesa em meados dos anos 70, incorporava o som tradicional do rockabilly mesclando com elementos musicais e visuais do punk rock e da new wave. Várias bandas inglesas causaram impacto no mundo todo, inclusive em nosso país. Mas no Brasil, um grupo americano em especial seria o “ponto zero” para muitos rockers entrarem no movimento: os StrayCats.

Vindos de LongIsland, Nova York, Brian Setzer (vocal e guitarra), Lee Rocker (baixo) e Slim Jim Phantom (bateria), os três já eram fãs do rock and roll e do rockabilly cinquentista na adolescência, principalmente de artistas como Eddie Cochran e Gene Vincent. Certa vez, em entrevista, Brian disse que eles “gostavam de ser os caras durões da escola, de jaqueta de couro e o cabelo penteado para trás”.

Stray Cats

Capa do álbum Built For Speed, de 1982, que inclui alguns dos maiores sucessos da banda.

Sem nenhum sinal que o sucesso viria na América, onde se viam pouquíssimos greasers e fãs do rockabilly no final dos anos 70, os Cats decidem se mudar para a Inglaterra, onde um revival do gênero estava ocorrendo a todo o vapor. Bandas como Crazy Cavan and the Rythm’n’Rockers, Polecats e Levi and The Rockats já misturavam o rockabilly original com o punk rock e agitavam os teddy boys. Levi and The Rockats, outro grande nome do neorockabilly, já havia gravado várias canções em 1979 e fazia suas primeiras apresentações nos Estados Unidos.

Na Inglaterra, os Stray Cats foram bem recebidos e emplacaram vários hits nas paradas, logo depois voltando aos EUA e repetindo o sucesso até 1984, quando a banda acaba. No entanto, eles não ficaram limitados ao circuito rockabilly underground e se tornaram grandes nomes da música em geral. Fazendo grandes turnês, vídeo clipes sendo exibidos o tempo todo na MTV e a participação no US Festival consolidaram o nome Stray Cats como um dos maiores da história do rockabilly.

Em 1989, a banda se reúne novamente e grava o álbum BlastOff, de grande sucesso comercial e que recolocou os Stray Cats de volta no seu lugar. Uma nova turnê mundial foi anunciada em 1990, e um dos lugares que passariam seria o Brasil. Para o nosso país foram agendadas três apresentações, duas em São Paulo e um no Rio de Janeiro.

Recebidos na capita paulista pelo Rock’n’Roll Club do Brasil, conforme o rocker Eric Von Zipper contou, a banda ficou surpresa com o enorme número de fãs que eles tinham aqui. O movimento rockabilly no Brasil estava praticamente no seu auge em 1990, e diversos rockers tinham como banda número 1 os Stray Cats.


Vídeo do especial feito pela TV Cultura

Nos shows em São Paulo, além dos rockers presentes, havia pessoas como Marcelo Nova, João Gordo e Serginho Groismann na plateia. Conforme uma conversa que tive com Sergio Barbo, o cara que desenhou os patchs do Rock’n’Roll Club, havia boatos que até Celly Campello estava na audiência. De qualquer forma, após 25 anos da sua aparição no Brasil, o fenômeno Stray Cats ainda conquista fãs por aqui. Suas apresentações em São Paulo e no Rio trouxeram muitos rockers para o movimento, e que ainda estão “na ativa”, levando essa cultura às novas gerações.

Embora alguns discordem e outros concordem que a vinda da banda tenha sido um divisor de águas na cena rocker brasileira, uma coisa é certa: os Stray Cats agitaram essa cena como nenhuma outra banda fez, trazendo muitos fãs para o movimento e tornando a época pós-show o auge dessa cena.

Brain Stezer e Eddy Teddy

Brian Setzer e Eddy Teddy quando Stray Cats tiveram no Brasil em 1990 (Arquivo Pessoal: LuizTeedy | https://eddyteddy.wordpress.com)

No livro Rockabilly Brasil, que será lançado no próximo ano, haverá um capítulo exclusivo sobre seus shows no Brasil, contando como ocorreram, desde a abertura do show feita por Supla e a reação dos rockers a isso, até as conversas de Eddy Teddy e Luiz Teddy, nomes influentes na cena rocker brasileira, com Brian Setzer. Além de trazer diversos comentários de várias pessoas que estiveram no show, junto com fotos de arquivo pessoal de algumas dessas pessoas, registros históricos de um dos capítulos memoráveis do rockabilly no Brasil.

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5 Responses

    1. Eduardo Molinar

      Olá, Kelvin! Eu sou autor do livro e colunista do Universo Retrô. Será uma obra que contará a história do movimento rockabilly no Brasil, com foco em São Paulo, pois foi ali que começou. No entanto, haverá depoimentos de várias pessoas de todo o país. Há um post no nosso site que explica um pouco mais, se quiser conferir. Ou pode entrar em contato por facebook comigo. Abraço!

  1. simone

    Esse show realmente foi fantástico!! Eu tinha ingressos para o sábado, mas fui na sexta p a porta do Projeto SP para ver o movimento por lá. Um amigo, policial civil, estava pegando pesado com os cambistas, e adivinha…. ganhei a noite!!! E no sábado eu estava lá de volta. Esse vídeo é da apresentação de sábado, tomei um baita susto quando o vi anos e anos e anos depois pois eu estou no vídeo logo depois do João, era p um programa da TV Cultura.

    1. Eduardo

      Acredito que tenha sido um grande show, Simone! Na minha opinião a banda estava tão boa quanto 1982, quem sabe até melhor. Que vídeo seria esse?

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