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O dia em que a música morreu junto com Ritchie Valens, Buddy Holly e Big Bopper

3 de fevereiro de 2016, por Eduardo Molinar
Música

Há exatos 57 anos, no dia 3 de fevereiro de 1959, parte da história do rock ‘n roll acabava de forma trágica e precoce. O avião que levava Ritchie Valens, Buddy Holly e Big Bopper caiu por conta de uma tempestade e matou todos os ocupantes. Com isso, a música em geral perdeu três grandes nomes e o acontecimento foi, em parte, responsável para o que ocorreria com o rock nos anos 60.

Em 1959, quando o rock ‘n roll vivia seus dias mais gloriosos e já era febre no mundo inteiro entre os jovens, o texano Buddy Holly era um astro internacional. Com sua banda, os Crickets, sucessos como That’ll be the Day, Peggy Sue e Not Fade Away deleitavam as rádios e abriam as portas ao artista em outros países.

Sua habilidade musical sofisticada, mais o contrato com a grande Decca Records, levaram Buddy e sua banda a uma turnê na Inglaterra em 1958. Os Crickets, apesar de brancos e texanos, vinham quebrando barreiras raciais, tanto é que boa parte do seu público era formado por negros.

buddy holly

The Crickets: Buddy Holly (centro), Jerry Alisson (esquerda) e Joe Mauldin (direita). – Foto: Reprodução

Big Bopper, também texano, em 1959, tinha um big hit no currículo, a Chantilly Lace. Mas não era por isso que era menos conhecido ou menos importante que seus contemporâneos. Antes de começar a cantar e compor, ele era DJ na rádio KTRM (hoje KZZB) em Beaumont, Texas.

Em maio de 1957, Big Bopper realizou um programa de cinco dias, duas horas e oito minutos, tocando 1821 discos. Conseguindo um contrato com a Mercury Records, logo lançou Chantilly Lace e se tornou sensação nacional ao chegar na sexta posição das paradas pop.

Big Bopper

Big Bopper (Foto: Reprodução)

O californiano Ritchie Valens, com 17 anos em 1959, era a grande “surpresa” para o rock ‘n roll. De origem mexicana e com muito swing em suas canções, lançou os hits Donna, La Bamba e C’mon Let’s Go pela Del-Fi Records. Ritchie era um astro em ascenção meteórica e que trazia elementos de jazz e música mexicana (inclusive nas letras das canções) para o rock ‘n roll.

Os três músicos e suas bandas, tocando juntos em uma apresentação na cidade de Clear Lake, Iowa, decidiram ir de avião para seu próximo destino, Fargo, Dakota do Norte, em decorrência do intenso frio que fazia. Buddy Holly havia conseguido o avião. Como não havia lugar para todos, Ritchie tirou a sorte com um dos integrantes dos Crickets na moeda para ver quem iria de avião e quem iria “congelando o traseiro” no ônibus. Ritchie venceu a disputa.

Ritchie Vallens

Ritchie Vallens (Foto: Reprodução)

Big Bopper, que estava gripado, pediu para trocar de lugar com Waylon Jennings, também integrante da banda de Holly, e embarcou no avião. Relatos contam que Holly teria brincado com Jennings dizendo: “Bem, espero que seu velho ônibus congele de novo”. Jennings teria respondido: “Tomara que seu velho avião caia”. Essas palavras atormentariam Jennings até o fim de sua vida.

Na queda, além dos três músicos, morreu o piloto Roger Peterson, de 21 anos de idade. Ritchie tinha 17 anos e Big Bopper 28. Além de Buddy, que estava com 22. Todos jovens e com carreiras brilhantes pela frente. Após o acidente, a Decca Records conseguiu lançar material inédito e de sucesso de Buddy Holly até 10 anos após sua morte, prova da habilidade musical que o cantor e guitarrista tinha.

Todos influenciaram diretamente bandas como Beatles (cujo nome foi inspirado nos Crickets), Rolling Stones, Byrds e Turtles. O dia 3 de fevereiro ficou conhecido como “o dia em que a música morreu” e Raul Seixas afirmaria, mais tarde, que, para ele, o rock havia morrido em 1959. Infelizmente, ele não deixa de ter razão.

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