“Do Picante à Política: o teatro no Recife dos anos 1960” é o novo livro do jornalista e historiador Leidson Ferraz, em que esmiúça a dinâmica da cena teatral na capital pernambucana por toda a década de 1960, um período turbulento, repleto de transformações, mas também de continuidades.
Para compor a capa do livro, feita pelo design Claudio Lira, a editora do Universo Retrô Daise Alves, de codinome pin-up Miss Daisy, ilustra a imagem com uma das fotos do seu ensaio “Vedete Brasileira”, produzido originalmente pela equipe do Universo Retrô Produções e publicado no portal em 2024. Entre as fotos escolhidas pelo autor, uma reprodução clássica das vedetes com os braços para cima, interagindo com o público de forma leve e descontraída.
A capa da obra presta uma homenagem a tão dicotômica situação: enquanto existia o glamour do teatro de revista (personificado pela modelo Daise Alves), com a sua liberalidade e malícia expostas ao público, por baixo, nos porões da Ditadura, a violência, os protestos, o terror e a perseguição da Censura.

“Quando Leidson me enviou mensagem perguntando se eu liberaria a foto para o seu mais recente projeto, fiquei bastante feliz com o convite. É uma honra para mim, poder ilustrar a capa de um livro que fala sobre um assunto que tenho afinidade e contribui para manter viva a história do país. Além disso, é muito gratificante ver o reconhecimento do nosso trabalho com o Universo Retrô, em que sempre nos dedicamos para fazer algo autêntico e com a nossa personalidade”, afirma a modelo, editora e também produtora do ensaio, ao lado de Mirella Fonzar e da fotógrafa Taína Medeiros.
O que aborda o livro Do Picante à Política
Lançado oficialmente na última quarta-feira (26), no Teatro Arraial Ariano Suassuna, em Recife (PE), “Do Picante à Política: o teatro no Recife dos anos 1960” mostra que, se de um lado o teatro rebolado ou das comédias e vaudevilles maliciosos persistiam em ocupar espaços como a Festa da Mocidade ou o Teatro Marrocos, atraindo um público eminentemente popular, muitas vezes pelo apelo dos números de striptease, um teatro bem mais comportado, entre a tradição – o uso de “ponto”, por exemplo (profissional que ainda soprava as falas aos atores) – e o moderno – o mergulho conceitual na cultura popular ou a chegada dos musicais chamados de “shows-experiência” –, continuava a lutar contra a ausência de casa de espetáculos bem equipadas. Aquele período é marcado pelo abandono do poder público a teatros como o Parque e Santa Isabel, com problemas estruturais cada vez piores.
Ainda assim, surgiram outros importantes espaços, como o Teatro de Arena (misto de companhia e casa de espetáculos), o Teatro da AIP (da Associação da Imprensa de Pernambuco), a sede do Teatro Popular do Nordeste (TPN) e o Teatro Novo do Recife. Mas é com a instauração do Golpe Civil-Militar de 1964 que outros problemas surgem, como a demora na avaliação dos textos pela Censura Federal e as várias retaliações que a classe artística enfrentou, inclusive ameaças de violência.
“É um período de extrema ebulição e tentei pormenorizar as atividades cênicas daquele período, dando visibilidade aos mais importantes grupos, mas também àqueles que estavam à margem, incluindo a realização de festivais, intercâmbios, visitas ilustres, perdas, processos censórios, num amplo painel do que foi o teatro, na sua maior diversidade, em plenos e loucos anos 1960”, conclui Leidson Ferraz sobre a sua 14ª publicação de uma elogiada carreira como pesquisador teatral.
Baixe o livro gratuitamente
O livro virtual já está disponível e pode ser baixado gratuitamente no site do autor Leidson Ferraz, clicando aqui.
















