A Pin-up The Red Ripper, de Navegantes, Santa Catarina, é a Pin-Up do Mês de Março do Universo Retrô. Designer gráfica com trabalhos realizados para marcas de destaque, como a Rat Fink Brasil, ela une referências do universo Pin-Up à cultura custom.
Vencedora do título de Miss Pin-Up do SC Custom Show em 2019, The Red Ripper segue, até hoje, fiel ao estilo que construiu ao longo dos anos, consolidando sua identidade dentro da cena. Neste ensaio fotográfico, clicado por Lu Meneghetti, ela reforça sua conexão com o universo dos carros customizados e o underground.
Nesta entrevista ao Universo Retrô, ela fala sobre sua relação com o estilo pin-up, suas influências e sua visão sobre a evolução da cena no Brasil. Confira a seguir!
Universo Retrô – O que a cultura pin-up representa pra você hoje?
The Red Ripper – Autenticidade e empoderamento. Sei que empoderamento é um termo muito usado, mas quando vejo mulheres da época sendo pilotas, atuando impecavelmente, conquistando espaço na música, sendo sinônimo de talento, sensualidade e muito mais em períodos tão desafiadores, é isso que significa pra mim.

Universo Retrô – Como começou sua relação com a estética pin-up, o universo retrô e a cultura custom?
The Red Ripper – Eu sinto que isso começou muito antes de eu entender o que era “pin-up”. Desde pequena eu fui apresentada a filmes, séries e músicas como os filmes da Audrey Hepburn, Jeannie é um Gênio, clássicos da Old Hollywood… isso sempre fez parte da minha infância.
Cresci também tendo contato com objetos vintage dentro de casa: câmeras antigas, vitrolas, até videogame mais antigo (lembro de usar Atari). Tudo isso foi criando um imaginário muito forte em mim, influenciando até minha profissão de certa forma.
Com o tempo, sem perceber, comecei a incorporar isso no meu estilo: vestidos, modelagens de época, a maquiagem que eu sempre fui apaixonada, mas principalmente a atitude. Foi algo muito natural.

Universo Retrô – Como foi a experiência de conquistar o título de Miss Pin-Up no SC Custom Show 2019?
The Red Ripper – Foi um misto de diversão com “é sério?”. Eu sou uma pessoa zero competitiva, então quando me inscrevi, o feeling era de animação por participar de algo que iria ter mais mulheres com muito em comum, até porque SC nunca teve uma cena pin-up forte. Então realmente subir no palco, conhecer outras mulheres, foi muito divertido. Sobre ganhar, eu fiquei muito feliz.

Universo Retrô – O que esse título mudou na sua trajetória como Pin-Up e dentro da cena de modo geral?
The Red Ripper – Como já faz 7 anos, muita coisa mudou, na época eu senti que validou algo em mim. Acredito que como não tinha muita cena aqui, foi muito importante pra eu entender que eu posso ser uma pin-up, posso continuar com meu estilo que sempre tive, sem precisar caber em algum lugar.
Universo Retrô – Como você enxerga a evolução da cena pin-up e custom no Brasil atualmente?
The Red Ripper – Hoje a gente tem a oportunidade de consumir muita informação de qualquer lugar do mundo e, com isso, sinto que, tanto a cena pin-up quanto a custom no Brasil, não perdem em nada para outros países. Até conversando com pessoas de outros países, eles ficam admirados com os carros, customizações, bandas, pin-ups e tudo mais que temos aqui.

Universo Retrô – Como surgiu a oportunidade de trabalhar como designer gráfico para o Rat Fink no Brasil?
The Red Ripper – Tive a oportunidade de fazer alguns trabalhos, pela marca já conhecer meu trabalho e eu estar dentro desse universo. É uma oportunidade que tenho muito carinho e significa muito pra mim, principalmente pelo legado da marca.

Universo Retrô – O que mais te encanta na estética e no universo do personagem americano do cultura custom?
The Red Ripper – ATITUDE! Pra mim, todo mundo precisa ser weird (estranho), sair da caixa e o nosso rato peludo traduz tudo isso. Quando olho pra ele, me identifico muito, pois, desde pequena, sempre me senti fora dos “padrões”.
Universo Retrô – Você traz para o seu estilo pin-up essa linguagem visual mais “underground” do Rat Fink?
The Red Ripper – Com certeza, me identifico totalmente. O underground, ser fora do padrão, representa muito do meu estilo.

Universo Retrô – Aliás, como você definiria o seu estilo dentro do pin-up?
The Red Ripper – Eu amo o termo neo pin-up, além de significar que houve um amadurecimento de ideologias, por exemplo, também significa que podemos ser quem queremos ser.
Hoje eu me identifico muito com referências old Hollywood, horror, estilos/movimentos que foram sinônimo de rebeldia e também sou apaixonada pela subcultura gótica. Me considero uma pin-up com fortes influência de outros movimentos e épocas.

Universo Retrô – Quais são suas maiores referências estéticas como pinup e em relação à arte como designer?
The Red Ripper – Minhas referências sempre vieram muito dessa linha mais rebelde e fora do padrão. Dentro do universo pin-up, eu me identifico com mulheres como a Bettie Page, que tinha uma atitude extremamente ousada pra época, e a Marilyn Monroe, que muitas vezes foi subestimada. Também me influenciou bastante por essa estética mais sombria de figuras como a Elvira e a Maila Nurmi, que trazem uma feminilidade fugindo do óbvio.
Já em relação à arte e ao design, acho o trabalho da Hilda Terry muito interessante pela forma como ela trazia personalidade e traços expressivos para as ilustrações da época.Também gosto muito do trabalho de nomes como Saul Bass e David Ogilvy.
Ogilvy tinha uma elegância na comunicação que é inegável. Mas, claro, olho para eles apenas como referências estéticas e técnicas de uma época, não compartilho dos valores ou do machismo que eram comuns na publicidade daquele tempo. O que me atrai é resgatar essa beleza visual e o traço forte.
Já Saul é o grande mestre das aberturas de filmes e das tipografias marcantes daquela época. O que tornou o trabalho dele icônico foi justamente o fato de ele não usar apenas fontes prontas, ele costumava criar letras recortadas à mão, o que dava aquele visual levemente irregular, moderno e cheio de personalidade.

Universo Retrô – Você é uma mulher que carrega uma história de muita força. Como a maternidade transformou sua visão sobre a vida e sobre si mesma?
The Red Ripper – A maternidade veio pra mim também como quebra de padrões, foi ensinado pra mim que a maternidade precisava ser de uma forma, porém eu ressignifiquei a maternidade na minha vida.
A maternidade me ensinou muito, desde coisas como ser mais paciente, até saber o quão longe podemos ir como mães. Eu não sabia que era capaz de muitas coisas, até ser mãe.

Universo Retrô – A estética, o trabalho e o universo retrô também funcionam como forma de resistência pra você nos dias de hoje? Como?
The Red Ripper – Sim, com certeza. Pra mim, tudo isso também é uma forma de resistência, principalmente porque me permite construir e mostrar o meu próprio estilo em um mundo onde tudo tende a ser muito padronizado. Dentro do meu estilo pin-up, eu consigo expressar quem eu sou de verdade, misturando referências, trazendo minha personalidade e mostrando que existe espaço pra ser quem eu quiser.
Universo Retrô – Qual é o papel das pin-ups hoje, na sua visão?
The Red Ripper – Na minha visão, o papel da pin-up hoje é o de reapropriação e liberdade. Se no passado essa estética era muito voltada para um olhar mais sexualizado, hoje ela serve como uma ferramenta de auto expressão e confiança feminina. Ser pin-up para mim, atualmente, é sobre ser quem quisermos ser.













