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A trajetória explosiva de Johnny Thunders & The Heartbreakers

2 de outubro de 2015, por Eduardo Molinar
Música

O punk rock nasceu na América em 1969 com a queda do movimento hippie. As bandas Velvet Underground, MC5 e Stooges, que compunham músicas agressivas, voltadas ao rock ‘n roll dos anos 50, e tinham a violência e questões do submundo urbano como tema, foram a “tríplice sagrada” do punk e, hoje, são vistas como bandas proto punk. Tal expressão poderia ser traduzida para “pré punk”. Alguns anos depois, em 1975, surgiria uma banda que tinha tudo para se tornar um dos grupos de maior sucesso da história do punk rock: Johnny Thunders & the Heartbreakers.

Logo após o término dos New York Dolls, extremamente excêntrica banda de glam rock, Johnny Thunders (guitarra solo) e Jerry Nolan (bateria) se juntaram a Richard Hell (que seria o baixista e vocalista) para formar os Heartbreakers. Em pouco tempo, devido a Thunders e Hell terem conflitos quanto às composições e a quem seria o homem de frente, o baixista deixa o grupo. Então são chamados Billy Rath, outro baixista, e Walter Lure, que seria o segundo guitarrista solo e dividiria os vocais com Johnny.

Os Heartbreakers

Da esquerda para a direita: Johnny Thunders, Jerry Nolan, Walter Lure e Billy Rath. (Foto: Leee Black Childers)

Empresariados por Leee Black Childers, começaram no underground nova iorquino, junto dos Ramones, Blondie e Television, os Heartbreakers conquistaram aos poucos seu espaço nas lendárias casas de show CBGB e Max Kansas City. Seu som remetia a uma mistura do rhythm’n’blues de Chuck Berry e Gene Vincent com o som cru de MC5 e Stooges, bem diferente das outras bandas que tocavam naquela cena, com exceção dos Ramones.

As influências de Johnny Thunders vinham de Eddie Cochran, Gene Vincent e mais tarde dos Rolling Stones. Quando mais novo havia sido praticamente um greaser, um cara das ruas. Jerry Nolan vinha das mesmas origens sociais e musicais de Johnny, mas era mais experiente e mais frio. Melhor amigo de Thunders, mantinha-o na linha quando necessário. Walter havia tocado na banda glam The Demons, e Billy também tinha a veia do blues e do rock and roll.

Os Heartbreakers

Os Heartbreakers tinham reputação de junkies, mas também de serem ótimos músicos (Foto: Reprodução)

Em 1976, depois de ganhar certa fama em Nova Iorque, os Heartbreakers são convidados por Malcolm McLaren a participarem juntamente dos Sex Pistols, Clash e Damned, na Anarchy Tour, que percorreria a Inglaterra. Eles aceitam e partem para a Inglaterra. Diferentemente dos Estados Unidos, onde o punk estava mais para uma pequena cena underground, na terra da Rainha o movimento havia ganhado muita força, e os Heartbreakers conquistaram um número impressionante de fãs.

Mesmo a turnê tendo sido na sua maioria cancelada devido ao escândalo que os Sex Pistols causavam, as gravadoras se interessaram pelo som dos Heartbreakers, mas não pelos integrantes do grupo, cujo vício em heroína não era novidade para ninguém, principalmente quando se tratava de Thunders e Nolan. Mesmo assim, a Track Records ofereceu um contrato e finalmente gravaram seu álbum de estréia, L.A.M.F. (Like a Mother Fucker).

Capa do álbum L.A.M.F.

Capa do álbum L.A.M.F.

O primeiro single foi Chinese Rocks (que seria gravada pelos Ramones também, apesar dos créditos serem divididos entre Thunders, Dee Dee Ramone e Richard Hell), e vendeu em torno de 20.000 cópias, número considerável para a banda.

O disco traz faixas que, apesar de terem sido mal mixadas, são clássicos do punk rock, como Born To Lose, All By Myself, Get Off the Phone, One Track Mind e Too Much Junkie Bussinness. Apesar do alto número de shows pela Inglaterra e pelos fãs, por causa do insucesso do álbum, cujas vendas forma prejudicadas pela má produção, a banda resolve dar uma parada.

Thunders grava seu primeiro álbum solo em 1978, a obra prima So Alone, com destaque para a faixa You Can’t Put Your Arms Around a Memory, que fez Bob Dylan dizer: “Eu queria ter escrito essa canção”. Jerry Nolan seguiu tocando com outras bandas e participou de uma turnê com Levi and the Rockats, voltando às suas raízes e acrescentando energia e swing ao som neorockabilly dos Rockats.

“Jerry tocou conosco por seis meses em shows em Nova Iorque, Canadá e Los Angeles. Ele tocava bateria de uma forma pesada que eu chamaria de ‘lead drums’ (tradução literal: bateria principal). Tocava partes intricadas entre a batida (cadência). Seu estilo era muito distinto. Ele tinha um conjunto rosa de bateria. Sinto falta dele, era uma ótima pessoa”, afirma Levi Dexter ao Universo Retrô.

Em 1979 eles se reúnem novamente e gravam um álbum ao vivo de uma série de aparições no Max Kansas City. Mas a volta triunfal seria em 1984, em uma turnê de sucesso pela Inglaterra, onde o primeiro show ocorreu no lendário Lyceum e originou mais outro álbum ao vivo. Para uma época em que se dizia que o punk rock estava morto, e o hardcore ganhava espaço, Johnny Thunders and the Heartbreakers mostraram que ainda poderiam fazer muito barulho e reunir os punks novamente.


O show no Lyceum foi explosivo e faz qualquer um se sentir como se estivesse na cena punk de 1977

Infelizmente, em 1991, Johnny Thunders é encontrado morto em seu quarto de hotel em Nova Orleans. Sob circunstâncias estranhas e muito mal resolvidas pela polícia, sua morte nunca foi investigada a fundo, sendo anunciada como consequência de uma overdose. Johnny estava se preparando para gravar um álbum de blues, seu sonho de carreira. Jerry, após a morte do melhor amigo, ficou perdido e, em 1992, morreu de meningite. Walter Lure continuou tocando e gravou mais um álbum de estúdio, Rent Party, com sua banda The Waldos. Billy Rath se converteu ao cristianismo e se tornou pastor após 1985, falecendo em 2014.

Johnny Thunders & The Heartbreakers

Johnny Thunders & The Heartbreakers em show em Londres

Johnny Thunders and the Heartbreakers foi uma banda de rock ‘n roll e punk rock inigualável, que com o passar dos anos ganhou muita popularidade. Os integrantes falecidos ficariam surpresos com a legião de fãs que possuem nos Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha, para citar alguns países.

Seu “punk’n’blues” (assim eu definiria seu distinto som) ainda faz sucesso e conquista novos fãs a cada ano. Recentemente foi lançado o documentário Looking for Johnny, dirigido por Danny Garcia, que conta a história de Thunders e, consequentemente, dos Heartbreakers.

Para completar essa matéria, Walter Lure concedeu uma entrevista para nós do Universo Retrô falando sobre os bastidores da banda, a questão das drogas e revelou alguns fatos ocorridos durante o tempo em que tocaram juntos. Aguarde!

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