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Entenda como surgiu a dança “Rockabilly” no Brasil e saiba onde aprender a dançar o rock dos anos 50 e 60

12 de julho de 2017, por Giulia D'Alonso
Música

Foto: Festa Shake Your Mood, por Livia Lamana Photograpy

No Brasil, conhecemos algumas formas de se dançar o rock dos anos 50 e 60. As modalidades de dança mais usadas para esse estilo, por aqui, são o “Soltinho”, que é mais tradicional nas aulas de Dança de Salão, e o popularmente conhecido “Rockabilly”, dançado em festas do estilo e menos comum de ser encontrado em escolas de dança. E é exatamente por isso que iremos falar dele.

Como o próprio nome sugere, o Rockabilly (também conhecido como Jive Rock) é um estilo brasileiro criado para dançar o rock dos anos 50 e seus subgêneros. Considerada uma modalidade mais livre, se trata de uma dança em 2/4 em músicas 4/4, que é uma contagem simples, na qual os dançarinos têm tempo entre um passo e outro para dar a própria cara para a dança e tentar encaixar passos de outros estilos, desde que faça sentido com a ritmo da música e a proposta.

O “Rockabilly” é também uma ótima forma de se aprender a dançar de modo geral, pois trabalha de maneira simples a questão da consciência corporal, equilíbrio, ritmo e musicalidade, de forma divertida e cheia de energia, além de contar com uma conexão mais firme entre os parceiros.

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A origem do Rockabilly Brasileiro

Foto: Reprodução / Rockabilly Dancin Party

O estilo que mais se assemelha ao que dançamos no Brasil é o americano Rockabilly Jive, derivado do Jive tradicional, porém mais seco e firme. O Jive surgiu na década de 30 nos Estados Unidos, como uma variação do Jitterbug e do Lindy Hop. Se dançava ao som de swing jazz e a sua diferença estava na simplificação da contagem da dança, com maior firmeza nos braços, maior velocidade e muitos giros.

A modalidade foi levada para a Europa por soldados americanos durante a Segunda Guerra Mundial, e lá surgiram várias vertentes do Jive, como o CeRoc e LeRoc. Nos EUA, mesmo o Jive foi criando novas caras no período pós-guerra, quando o rock ‘n roll e o rockabilly estavam nascendo os adolescentes procuravam um estilo de dança diferente do que seus pais dançavam, e acabaram dando uma cara mais “rebelde” para a dança.

Portanto, a grande diferença do Rockabilly Jive para o que chamamos de Rockabilly aqui no Brasil, é que os giros se iniciam no momento em que estamos com o nosso peso concentrado na perna direita na posição da frente e os giros iniciam para “fora”, ou seja, você conduz o giro pela maior distância para alcançar sua outra mão. Enquanto o Rockabilly, aqui no Brasil, inicia seus giros quando o peso está na perna direita na posição de trás e sempre fazemos os primeiros giros em direção à mão vazia de quem conduz por dentro, ou seja, pela menor distância possível.

Mas essa diferença não impossibilita que adaptemos alguns passos do Rockabilly Jive, pois em algum momento da dança nosso peso também está concentrado na perna direita a frente. A maior dificuldade dessa adaptação é de sempre saber onde está o peso do parceiro, que é uma habilidade que a pessoa vai aprimorando com treino, tendo cada vez mais consciência corporal e controle de seus movimentos. Outra coisa que pode ser usada é o jogo de pernas do Rockabilly Jive. Ele é cheio de energia, pulinhos, chutinhos, charme e atitude do rock ’n’ roll.

As Influências de outras danças vintage

Casal dançando Jive nos anos 1950 (Foto: Reprodução)

Outro estilo de dança tradicional que pode ser incorporado à modalidade é o Charleston, um estilo de dança que surgiu na década de 20 e podia ser dançado solo ou em pares. Mas, o que o Charleston tem em comum com o nosso Rockabilly? A energia e velocidade da dança. Por isso conseguimos adaptar alguns passos da dança Charleston para o Rockabilly, sem descaracterizar muito nenhum dos dois estilos.

Em músicas não tão rápidas o Charleston pode se descaracterizar e perder sua graça e energia. Da mesma forma que em músicas mais puxadas para o Rock ’n Roll, especialmente com o NeoRockabilly, como Stray Cats e Robert Gordon, o Charleston pode ficar completamente fora de lugar, tanto pelas marcações e acentos das músicas quanto pelo peso e tema delas.

Assim como o Rockabilly, o Boogie Woogie também é um estilo musical em que a dança adotou o mesmo nome. A modalidade é derivada do Lindy Hop e possui um jogo de pernas característico e que se baseia na levada do piano Boogie, que aqui no Brasil é muito bem representado por Alex Valenzi. É um jogo de pernas rápido, cheio de energia e “pulinhos”.

No Rockabilly podemos usar influências do jogo de pernas do Boogie Woogie, além da ideia de que o Boogie é um estilo que tem uma conexão muito clara entre a música, principalmente o piano boogie, e a dança em si, o que podemos aprender com ele e aplicar em todas as danças retrô e vintage.

Já os Aéreos que vemos no Rockabilly vieram, principalmente, do Lindy Hop e foram assumindo características distintas e novos passos com as diferenciações das danças. Eles chamam a atenção e são passos que normalmente são usados em competições. Os aéreos devem ser feitos com cautela e técnicas que usam troca e equilíbrio de peso, controle do movimento, evitando o uso da força para executá-los. É importante receber instruções corretas sobre como executar os aéreos com técnica e sobre como cair sem se machucar, no caso do aéreo dar errado.

Dando personalidade à dança, sem perder suas características originais

rockabilly

Professor de dança Felipe Lima e parceira (Foto: Paulo Nojento)

Adaptar passos de outros estilos pode ser uma boa opção para deixar a sua dança cada vez mais com a sua cara. Mas é importante lembrar que a dança foi se adaptando ao estilo e evolução da música e que ambas as coisas sempre caminharam juntas. Afinal, o que seria da nossa dança sem Chuck Berry, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis?

Por isso, quando adaptamos passos de outros estilos, precisamos prestar atenção em não descaracterizar o gênero musical que dançamos, principalmente no caso do Rockabilly, que é derivado de várias outras modalidades, mas carrega a atitude do Rock ’n Roll e de seu subgênero de mesmo nome.

É importante lembrar que estamos dando nossa interpretação de cada música quando dançamos. Mas, muitas vezes estamos preocupados demais em executar passos complexos ou em fazer uma sequência perfeita, que acabamos nos esquecendo de prestar atenção na música, no ritmo e na história que ela carrega.

A dança envolve troca de peso, entendimento de ritmo, interpretação da canção, e a compreensão e equilíbrio entre os parceiros, no caso das danças em dupla. Mas, se excluirmos a parte musical, a dança se torna exercício físico e deixa de ser arte. Portanto, por trás de cada dança há uma história, cultura e um estilo, que devemos respeitar e compreender.

Onde encontrar locais e eventos de Danças Vintage?

EITA Cultural

Além do enfoque Rockabilly, a escola oferece cursos de dança de outros estilos separadamente, dentro de seus próprios contextos, e aulas de música.

Siga a página no Facebook EITA e o instagram @eitacultural.
Site: www.eitacultural.com.br
E-mail: contato@eitacultural.com.br
Localização: Rua Caiubi, 831 – Perdizes, São Paulo – SP

Rockabilly Jive Rock

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