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The Charts: Clássica banda mod dos anos 90 volta aos palcos no Mods Mayday; veja entrevista com o vocalista Flávio Telles

2 de fevereiro de 2017, por Daise Alves
Música
The Charts anos 90

Para os apaixonados pelos anos 60, dia 11 de fevereiro, acontece o Mods Mayday, evento dedicado a subcultura mod que contará com o lançamento do livro Nós Somos Mods de André Carmona, que fala sobre a cultura mod paulistana. O evento ainda reunirá quatro bandas de três gerações diferentes da cena paulistana: The Charts (90s), Efedrinas e Modulares (2000s) e Os Artefactos (2010s).

Para quem quiser entender um pouco mais sobre a cena, conversamos com Flávio Telles, vocalista e guitarrista da banda The Charts, que fala sobre o início da cena mod no Brasil, sua trajetória e bandas promissoras da cena.

Universo Retrô – Dentro de tantos estilos musicais, o que fizeram vocês se envolverem com a música “sixtie”?

Flávio Telles – Foi uma coletânea chamada Atlantic Rhythm & Blues, continha o mais puro R&B e Soul Music de 1947 à 1974, nos identificamos mais com o período dos anos 60 porque já conhecíamos The Who, The Jam, Small Faces, Kinks, etc., descobrimos as fontes destas bandas que éramos fãs, a possibilidade de fazermos o som que queríamos se aproximou e se ampliou e continua se ampliando até hoje. Essa, sem sombra de dúvidas, é uma fonte inesgotável de inspiração.

Universo Retrô – Vocês iniciaram a carreira nos anos 90. O que mudou de lá para cá dentro da cena mod?

Flávio Telles – Antes a cena acontecia praticamente dentro do convívio de bandas e artistas que admiravam e gostavam de seguir uma linha revivalista, os The Charts apareceram seguindo o estilo sessentista britânico, o Mod, algo que na época ainda era muito específico, pouca gente conhecia, somente quem era do meio entendia o que estávamos fazendo.

A principal mudança, para mim, foi que, em um curto espaço de tempo, bandas, artistas, festas temáticas, etc., começaram a mencionar mais frequentemente o Mod como influência, com certeza o boom da internet contribui para isso, porque antes, para alguém de Curitiba, por exemplo, saber que você era e tocava numa banda Mod, você tinha que aparecer na televisão ou em alguma mídia de grande circulação e isso não acontecia a todo momento.

Álbum Carbônicos

Capa do álbum ‘Carbônicos’, 1996 (Foto: Reprodução)

Universo Retrô – Até hoje o álbum “Carbônicos” é muito bem lembrado dentro da trajetória da banda. O que vocês acreditam que fez esse álbum se tornar tão especial?

Flávio Telles – A sinceridade, a espontaneidade, a sede de tocar, de cantar canções que conciliavam com o que estávamos vivenciando na época, os shows que fazíamos cada vez melhores, tudo estava pulsando e contribuindo para montarmos um repertório que convergia com tudo e com todos, estávamos no ápice de nossa proporção sessentista, de nosso “mods-operandi”, então por isso, acredito eu, guardada as devidas proporções técnicas, o álbum Carbônicos ainda é notável e inspirador.

Universo Retrô – Quais são as principais referências de vocês?

Flávio Telles – Bom, não sei quanto ao Sandro, Ed Júnior e Roberto, mas, para mim, acredito que, em boa parte, ainda sejam os anos sessenta e tudo que dali consta em se tratando de R&B e Soul Music especialmente, mas não totalmente, gostamos de coisas de outras décadas, sim, até mesmo desta que estamos, mas…com a facilidade que temos hoje de ouvir, baixar músicas da web, os anos sessenta revelou-se uma constelação de MP3 à se ouvir, centenas de milhares de bandas e artistas excelentes, ufa…!

Fica difícil sair dos anos sessenta, né? Me dediquei um tempo em pesquisar outras épocas, encontrei igualmente coisas muito boas, mas eram mais universos, mais constelações de MP3 e aí, meu, não deu, a bússola quebrou e quase fiquei à deriva. Fica quase impossível para um músico se envolver com tudo isso sem ficar um pouco desnorteado. Mas sempre se aprende muito e as referências não param de crescer, são infinitas! Mas é preciso um norte.

Universo Retrô – E hoje, há alguma banda nova promissora na cena?

Flávio Telles – Cena nacional Mod, Mod, mesmo? Bem, temos os excepcionais Modulares, estão com um som coeso, presença de palco cativante, músicas cada vez melhores. Os Efedrinas estão de volta também e, se continuarem, também podem se tornar algo promissor para a cena sessentista, são muito competentes, cantam muito bem, Rennan e Luiz estão fazendo um ótimo trabalho nos The Lonesome Duo, espero que fiquem mais tempo na estrada Mod. Contamos também com Os ArteFactos, pelo o que pude ouvir, estão com uma linha de som de clube londrino sessentista, são muito bons, não vejo a hora de assistir o show deles. Eles também tem um gaitista, né? Mmmm, acho que vou ter de quebrar umas guitarras “kkkkk”!

Temos muitas bandas que flertam com o estilo mod mas ficam mais para o britpop, para o rock clássico, garage rock, etc. Isso pode ser considerado como um caminho natural de artista que bebem da fonte dos anos sessenta, como eu lhe disse, a fonte é inesgotável e gigantesca, se o artista souber dosar as influências, só fará coisas boas. Boas para quem? Para o mercado fonográfico? Não! Para o público, certamente, é sempre ele em primeiro lugar! Há outro lugar melhor do que tocar para um público receptivo e afim de ouvir coisas diferente mesmo sendo elas revivalistas?

The Charts

Matéria do jornalista Ricardo Alexandre para O Estado de SP, no caderno Zap! em 28.04.1994 (Foto: Reprodução)

Universo Retrô – A banda Ira! é sempre citada como uma das bandas responsáveis por divulgar o estilo ‘mod’ no Brasil. Vocês ainda enxergam esse lado ‘mod’ na banda?

Flávio Telles – Sim, por divulgar algo assumidamente Mod. Para mim o Ira! pode tocar samba que, pra mim, será um samba-mod, claro que gravaram álbuns que estão além de minha compreensão e gosto pessoais. O que eles fizeram com a minha vida, acredito que, com outros amigos meus que admiravam esta tal filosofia Mod, completou o que eu vinha buscando, ficavam no meio de tudo e não se contaminavam facilmente, o disco Mudanças de comportamento realmente provocou algumas mudanças nos adolescentes que éramos, começamos a nos sentir mais próximos das bandas Mods europeias, compreender melhor o que era a cena, poxa, aquelas letras em português, cantadas e tocadas daquela forma, bateu direto em nós e mostrou um caminho possível.

Eles continuaram e se transformaram em músicos profissionais, precisaram tocar outros sons, outras batidas, acredito que sejam mods transformados, não deixaram de ser, assim como Pete Townshend, Roger Daltrey, Paul Weller, Bruce Foxton, Rick Buckler, Ray e Dave Davies, Kenney Jones, etc. Acho impossível eles não lembrarem da época em que eram Mods, tamanha intensidade que foi o movimento por dentro e por fora.

Universo Retrô – Dentre tantas músicas populares no mainstrem, como a subcultura pode atrair esse novo jovem e o que ele pode aprender com ela?

Flávio Telles – Isso já está ocorrendo no mundo, batendo de frente com que a mídia nacional e internacional insiste em querer mostrar, nos enfiar goela abaixo, pois, hoje, com a internet podemos nos considerar intercontinentais, sim, hoje a distância de espaço e tempo, artisticamente falando, são menores dada a quantidade de informação que hoje um jovem, por exemplo, se depara, pode-se começar um movimento com influências do psicodelismo africano, com o blues das arábias, com o Mod oriental, e sessentista se preferir, assim, rápido e prático, sem demora e sem problemas com caixas postais de correios.

 banda The Charts

Integrantes da banda The Charts (Foto: Reprodução)

Universo Retrô – Vocês têm algum projeto especial com a banda?

Flávio Telles – No momento nosso projeto especial é tocar em shows, mostrar para essa nova geração o lado “Carbônicos” dos The Charts e quem sabe, a partir deste ponto, mostrar algo novo, acho que tudo acontecerá de forma natural, espontânea, sincera e rápida, pois, estamos nos anos 2000, tudo está a 1000!

Universo Retrô – O show de vocês no Mods MayDay é a volta oficial da banda ou apenas uma apresentação especial?

Flávio Telles – Considerando as outras vezes que tocamos, em eventos especiais como o da Fnac, no lançamento do livro “Cheguei bem a tempo de ver o palco desabar” de Ricardo Alexandre, e a quantidade de shows e convites que estamos recebendo este ano, e acima de tudo, o nosso ânimo de tocar e de criar, sim, pode-se considerar uma volta oficial dos The Charts.

Universo Retrô – Por fim, quem quiser acompanhar a banda, existe alguma rede social em que podemos encontrá-los?

Bem, por enquanto só temos uma página no Bandcamp: https://thecharts.bandcamp.com/ – lá tem o email da banda: thecharts2000@gmail.com, e nosso dois discos: Carbônicos e São Paulo em P & B, disponíveis para ouvir gratuitamente. Logo mais teremos nossa página oficial com muito mais informações da banda e notícias da cena.


The Charts no programa Lado B MTV, 1996

SERVIÇO:
Festa Mods MayDay
Lançamento “Nós Somos os Mods”, de André Carmona
Shows: The Charts, Modulares, Efedrinas, Os Artefactos
DJs: Kalota e Cintia Sixtie.
Local: Morfeus Club (Rua Ana Cintra, 110 – Santa Cecília, São Paulo/SP_
Hora e data: 16h, dia 11/02/2017 (sábado)
Entrada: R$ 20,00 com nome na lista (modsmaydaysp@gmail.com), R$ 25,00 na porta.

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