Natural de Santa Catarina, Ember Moon é a Pin-up do Mês de fevereiro do Universo Retrô. Amante da arte circense, engenheira de produção e futura psicóloga, ela encontrou no universo pin-up uma forma de unir estratégia, estética e expressão pessoal.
Desde que conheceu de perto esse cenário no SC Custom Show, em 2022, participa de concursos de Pin-Up e constrói apresentações que misturam pesquisa histórica, acrobacia e narrativa, transformando o palco em um espaço de reforço à sua identidade e força feminina. Confira a seguir nosso papo com a bela e as fotos feitas em pontos turísticos de sua cidade, Itajaí, no litoral de Santa Catarina.

Universo Retrô – Você contou em outros momentos que conheceu o universo Pin-up de perto no SC Custom Show em 2022. O que sentiu naquele momento que despertou essa paixão?
Ember Moon – Conheci o universo pin-up de perto no SC Custom Show em 2022, e lembro com nitidez da sensação. Quando vi aquelas mulheres lindas, bem produzidas, caminhando juntas e se destacando naturalmente da multidão, algo despertou em mim. Não era apenas estética. Era presença. Era identidade. Era posicionamento. Naquele instante pensei: eu também quero estar ali.
Cheguei em casa e comecei a pesquisar tudo sobre esse universo, entender como funcionavam os concursos, quais eram as referências, quais caminhos eu poderia trilhar. Sempre gostei de explorar o diferente, de não seguir o fluxo da maioria. E percebi que ser Pin-up hoje é justamente isso: resgatar o passado com consciência, personalidade e força no presente.

Universo Retrô – Como foi sua primeira experiência participando de um concurso Pin-up? Qual foi?
Ember Moon – Meu primeiro concurso foi o Pinup Day Brasil, em São Paulo, reconhecido como o primeiro concurso oficial de Pin-up do Brasil. A experiência foi sublime.
A organização foi realizada por pin-ups como Jordana Donni (em memória), La Rodriguez e Miss Lola, o que fez toda a diferença. Cada detalhe foi pensado por quem já esteve no palco, por quem conhece as inseguranças, expectativas e vulnerabilidades de uma candidata. Elas estruturaram o concurso a partir da própria vivência, preenchendo lacunas que muitas vezes existem nesse tipo de evento.
Não poderia ter escolhido um lugar melhor para começar. Foi acolhedor, profissional e extremamente respeitoso com a história que cada candidata carregava.

Universo Retrô – Em pouco tempo você já estava participando de eventos em outros estados. O que mais te marcou nessas experiências fora de Santa Catarina?
Ember Moon – Além de São Paulo e Santa Catarina, participei por dois anos consecutivos do Curitiba Custom Day, no Paraná. O que mais me marcou foi compreender que cada concurso possui sua própria dinâmica, critérios e identidade. Isso exige leitura de cenário, estratégia e adaptação. Ao mesmo tempo, ser pin-up é fazer parte de uma comunidade. Você reencontra meninas de outros estados, cria vínculos, compartilha bastidores. Existe competição, mas também existe apoio genuíno. E quando a organização também é feita por pin-ups, como em Curitiba e São Paulo, o cuidado com as finalistas se torna ainda mais humano e acolhedor.

Universo Retrô – Sua apresentação como domadora de leões no chair dance acrobático no Custom Show fugiu do tradicional. Como nasceu essa ideia?
Ember Moon – Meu sonho inicial era fazer uma apresentação na lira acrobática no SC Custom Show, mas por questões estruturais não foi possível. Então decidi buscar outro elemento que me permitisse explorar força e técnica: escolhi a chair dance.
A chair tradicionalmente tem um apelo mais sensual, mas eu queria fugir do óbvio. Desde o início pensei em algo que unisse força, presença e ousadia. Optei por uma abordagem mais técnica e performática, visualmente impactante, sem perder a elegância inspirada nos anos 50.
Busquei referências visuais no filme The Greatest Showman e em coreografias contemporâneas, criando uma figura de domadora que fosse, acima de tudo, dona do próprio espetáculo.

Universo Retrô – Conta pra gente mais sobre sua relação com o circo.
Ember Moon – O circo sempre me encantou. É o lugar onde a arte encontra o risco, onde a beleza convive com o suspense. Aos seis anos, fui ao Beto Carrero World e fiquei hipnotizada pelas apresentações com tecido acrobático. Aquela mistura de leveza e perigo me marcou profundamente.
Quando eu tinha 11 anos, fui ao circo que estava na minha cidade e, quando o atirador de facas chamou alguém do público, eu me ofereci. Lembro da assistente me posicionando contra a parede e sussurrando no meu ouvido: “mexeu, morreu”. Foi intenso, assustador e ao mesmo tempo fascinante. Hoje percebo que ali vivi uma das minhas primeiras experiências de palco.
Essas memórias ficaram guardadas e reverberaram na vida adulta. Ser pin-up é, de certa forma, a maneira que encontrei de dar forma a essas referências da infância, transformando o encantamento daquela menina em performance de mulher.

Universo Retrô – Você busca contar uma história em cada apresentação? Como funciona seu processo criativo?
Ember Moon – Sim, eu sempre busco contar uma história em cada apresentação. Meu processo é quase investigativo. Começo com pesquisa histórica, principalmente entre as décadas de 1940 e 1950. Estudo o contexto social, o papel da mulher na época, referências culturais, musicais e estéticas.
A partir disso, desenvolvo o conceito do figurino e a mensagem que quero transmitir. Gosto de unir precisão histórica com frescor contemporâneo.
Depois escolho músicas que dialoguem com o tema e com o período. Não basta soar bem, elas precisam sustentar a narrativa. Enquanto isso, vou montando um verdadeiro quebra-cabeça de referências no Pinterest e compartilho tudo com minha mãe, que transforma esses rascunhos em figurino real.

Universo Retrô – Seus figurinosm então, são confeccionados pela sua mãe. Como essa parceria começou?
Ember Moon – Minha mãe sempre foi costureira. Antes mesmo de eu nascer, essa era sua principal fonte de renda. Há cerca de oito anos, a enfermagem se tornou sua profissão principal e a costura passou a ser hobby.
Desde a minha infância, ela criava minhas roupas. Quando decidi entrar para o universo pin-up, a primeira pessoa com quem conversei foi ela. Perguntei se toparia criar meus figurinos, e ela abraçou o desafio.
Com o tempo, começaram a surgir encomendas de trajes para Oktoberfest, fantasias e peças sob medida. Assim nasceu o Atelier Ember Moon. Hoje ela produz figurinos personalizados, uniformes e peças sob medida. Nossa parceria é artística, mas também profundamente afetiva.

Universo Retrô – Como você escolhe os temas e as referências visuais de cada look?
Ember Moon – A escolha dos temas começa na pesquisa histórica. Enquanto investigo mulheres e contextos do passado, já observo silhuetas, tecidos, estampas e estruturas.
Depois adapto tudo às necessidades da coreografia, porque muitas peças precisam permitir movimentos acrobáticos específicos. Já busquei referências em revistas antigas da Vogue disponíveis online e utilizo o Pinterest como ferramenta visual constante. Para mim, a estética precisa conversar com a narrativa e com o palco.

Universo Retrô – Existe algum figurino que tenha um significado especial na sua trajetória?
Ember Moon – O figurino da minha primeira apresentação no Pinup Day Brasil tem um significado muito especial. Entro com uma saia e, durante a performance, revelo um macaquinho que me permite subir na lira acrobática. O forro da saia é a bandeira do Brasil, que abro ao público como homenagem ao nome do concurso. Foi um momento extremamente simbólico.
Esteticamente, porém, o figurino de domadora de leões ocupa um lugar único no meu coração. O brilho, o vermelho, que é minha cor preferida desde a infância, e toda a construção de força e autoridade que ele transmite fazem dele um marco na minha trajetória.

Universo Retrô – Você é formada em engenharia de produção. Existe um lado mais estratégico por trás das suas apresentações e participações em concursos?
Ember Moon – A engenharia de produção influencia diretamente meu processo criativo. Eu estruturo minhas apresentações como projetos: estudo o concurso, analiso critérios, penso na mensagem central e organizo cada etapa de execução. Existe planejamento, cronograma e estratégia.
Em julho de 2026 me torno também bacharel em Psicologia, minha segunda graduação. E o palco tem um peso emocional muito forte. Autoestima, identidade, expressão e empoderamento são temas profundamente ligados à psicologia.
Nas minhas apresentações, combino estratégia e sensibilidade. Existe a Tamires e existe a Ember Moon. Ember é, de certa forma, um alter ego, um espaço seguro de expressão onde posso explorar arquétipos, fortalecer minha autoestima e comunicar mensagens com mais liberdade. No palco, essas duas formações se encontram para criar algo que me representa de forma integral.

Universo Retrô – Quais são seus próximos sonhos e projetos dentro desse universo?
Ember Moon – Meus sonhos são o reflexo da minha própria jornada de retomada de autoria. Por muito tempo, vivi um ‘script’ escrito por outras pessoas, onde minha voz era silenciada por dogmas e expectativas alheias, o que me levou a um esgotamento profundo. O meu despertar aconteceu quando eu decidi silenciar o barulho externo para ouvir minha própria verdade.
Meus olhos brilharam pela primeira vez no SC Custom Show, e é para lá que meu foco continua voltado; minha meta é a coroa. Mas, meu projeto de vida é a criação de um método que chamo carinhosamente de ‘Psicologia do Palco’. Quero utilizar a Ember Moon como prova viva de um mecanismo único que desenvolvi: a união da Engenharia de Produção com a Psicologia.
Uso a engenharia para o design estratégico da performance, a gestão de processos e a construção do figurino como uma armadura funcional. Isso cria a estrutura necessária para que a psicologia entre em cena, trabalhando o ‘alter ego’ como uma ferramenta de libertação e resgate da autoestima.
A Ember Moon é o símbolo dessa transformação: ela é a mulher que não pede licença para existir, que é dona do seu corpo e da sua história. Meu sonho é que esse método ajude outras mulheres que, como eu no passado, sentem que estão em uma ‘areia movediça’, mostrando que elas podem usar o lúdico e o autoconhecimento para redesenhar seus próprios destinos e serem as protagonistas de suas vidas. Afinal, assim como uma linha de produção precisa de ordem para gerar um resultado, nossa mente precisa de um espaço seguro e performático para expressar sua verdadeira potência.














