Nesta quinta-feira (29) a atleta brasileira Rebeca Andrade conquistou a medalha de prata na competição de ginástica artística feminina das Olimpíadas 2021. Apesar da segunda colocação, perdendo apenas para a americana com descendência asiática Sunisa Lee, a garota negra foi a primeira a conquistar a medalha na modalidade aqui no Brasil.
Esse marco na história é um orgulho para todos nós brasileiros e ainda mais para a comunidade negra do país. Inclusive a nossa lendária Daiane dos Santos, que foi a primeira ginasta, entre homens e mulheres, a conquistar uma medalha de ouro em um Mundial, se mostrou emocionada em uma entrevista para a Globo: “A primeira medalha do Brasil num Mundial de Ginástica foi negra. A primeira medalha do Brasil na Ginástica feminina foi negra. Isso é muito importante. Diziam que a gente não podia estar nesses lugares”.
Não é à toa, visto que a forma em que os negros, brasileiros ou não, conquistaram seu espaço nas Olimpíadas foi árdua. Hoje prestigiamos muitas Daianes, Rebecas, Serenas e Michaels nos esportes, mas a recepção dos brancos para os negros nos jogos não era nada amigável no começo, assim como em muitos outros cenários.
A História dos negros nas Olimpíadas
As Olimpíadas da Era Moderna, a qual conhecemos hoje, foram criadas em 1896 pelo Barão de Coubertin e tendo Atenas como sua primeira cidade-sede. Entretanto as competições eram permitidas apenas para brancos e ricos. Foi só em 1904, em Saint-Louis, que os negros participaram pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, porém de forma vergonhosa e apenas para “divertir” os espectadores.
Dois zulus, Len Taunyane e Jan Mashiari, que estavam na cidade para participar de uma exposição na Feira Mundial sobre a Guerra dos Bôeres, foram colocados para concorrer à maratona descalços e com chapéus de palha. Como se não bastassem os trajes que usavam, o despreparo deles para a prova os deram um desempenho fraco e desengonçado, arrancando risos do público americano.

Mas o plot-twist foi dado a partir de 1908 e, agora fazendo jus ao título da matéria, listaremos, em ordem cronológica, os medalhistas negros que marcaram a história das Olimpíadas.
10 campeões olímpicos negros da história
1 – John Taylor (Londres, 1908)
Especialista nos 400m rasos, o americano John integrou a equipe de revezamento misto que venceu os Jogos de Londres de 1908. Os quatro membros de sua equipe correram, juntos, por 3 minutos e 29 segundos, sendo que só John correu por 49 segundos.

2 – William Hubbard (Paris, 1924)
Mas o título de primeiro atleta negro a vencer uma disputa individual ficou para o também americano William Hubbard. Ele conquistou a medalha de ouro no salto em distância com a marca de 7,44m nas Olimpíadas de Paris em 1924.

3 – Eddie Tolan (Los Angeles, 1932)
Eddie foi o primeiro velocista negro a vencer os 100m e os 200m rasos nos Jogos Olímpicos e quebrou os recordes mundiais das 100 jardas e dos 100 metros. Das 300 provas que competiu em toda sua carreira, ele só perdeu sete.

4 – Jesse Owens (Berlim, 1936)
Sua vitória por quatro medalhas de ouro nos 100 e 200 metros rasos, no salto em distância e no revezamento 4x100m fez com que o atleta se tornasse um líder civil e símbolo contra o racismo. As Olimpíadas de Berlim foram bem recebidas pelo governo Hitler com a intenção de promover a ideologia nazista e, principalmente, a supremacia da raça ariana. Foi um belo “tapa na cara” do ditador!

5 – Alice Coachman (Londres, 1948)
A atleta não só foi um marco por ser negra como também por ser a primeira mulher a vencer os Jogos Olímpicos no salto em altura feminino. Seu reconhecimento foi tanto que ela recebeu sua medalha de ouro pelo próprio Rei Jorge VI.

6 – Adhemar Ferreira da Silva (Helsinque, 1952 e Melbourne, 1956)
O atleta brasileiro foi pioneiro em muita coisa – foi o primeiro vencedor de duas Olimpíadas seguidas, o primeiro sul-americano bicampeão em provas individuais e o primeiro a quebrar a barreira dos 16m no salto triplo. Além disso, ele foi recordista mundial do salto triplo cinco vezes.

7 – Wilma Rudolph (Roma, 1960)
Aquela que sofria de poliomielite na infância se tornou velocista com três medalhas de ouro na vida adulta. Ainda, a “Gazeta Negra” se consagrou como a maior velocista do planeta ao vencer os circuitos de 100m, 200m e revezamento 4x100m.

8 – Bob Beamon (Cidade do México, 1968)
O atleta não só venceu o salto em distância nas Olimpíadas de 1968 como também alcançou o recorde mundial com a expressiva marca de 8,90m. Esse recorde durou 23 anos, até Mike Powell, também negro, alcançar a marca de 8,95m em 1991.

9 – Sugar Ray Leonard (Montreal, 1976)
O pugilista se consagrou nas Olimpíadas de 1976 nas categorias meio-médios, médios-ligeiros, médios, supermédios e meio-pesados. Na época ele era um atleta amador, mas, por conta da repercussão pela sua vitória, o pugilista se profissionalizou um ano depois.

10 – Teófilo Stevenson (Munique 1972, Montreal 1976 e Moscou, 1980)
Apesar do diploma de engenharia, o atleta cubano entrou para o ramo do boxe e se tornou tricampeão nos Jogos Olímpicos na categoria peso-pesado. Ainda, ele é considerado por muitos como o maior boxeador amador de todos os tempos.
