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Pin-Up e Circo: temática bomba no palco do Miss SC Custom Show e inspira performances excêntricas

13 de agosto de 2025, por Mirella Fonzar
Moda

(Foto capa: Lu Meneghetti)

Há exatamente 1 mês, o mundo encantado dos espetáculos de lona invadia o palco do SC Custom Show 2025, realizado em Balneário Camboriú (SC), em 13 de julho. Com forte presença de referências ao circo clássico, algumas das competidoras do concurso Miss Pin-Up deste ano apostaram na mistura entre o glamour vintage e toda a excentricidade que envolvia os palcos circenses dos séculos XIX e XX.

Pin-Ups Circo - SC Custom Show
Competidoras do Miss Pin-Up SC Custom Show 2025 (Foto: Thais Duffeck)

Sherry Stoker e a homenagem aos Freak Shows

A grande vencedora desta edição foi Sherry Stoker, de Curitiba (PR), que trouxe uma homenagem aos Freak Shows — nome dado aos antigos espetáculos circenses que apostavam nas, consideradas, “aberrações” para atrair o público. Sua apresentação resgatou o período de ouro dessas atrações (entre o fim do século XIX e meados do século XX), quando pessoas tatuadas, com características físicas incomuns ou habilidades extraordinárias eram as principais estrelas dos grandes circos.

“O circo tem uma forte influência na história da tatuagem, que além de também ser uma arte custom, é meu ganha-pão. O Freak Show foi minha maior inspiração”, conta Sherry, que, além de pin-up, é tatuadora old school e tem o próprio corpo como tela. No palco, apresentou um número inusitado que incluiu arremesso de facas e até engolir uma espada ao vivo. “Quis reunir tudo o que amo (circo, tattoo e cultura vintage) dentro de uma única performance, para me despedir dos concursos Pin-up. E tinha que ser no Custom Show!”, completa.

Pin-Up Sherry Stoker - Circo - SC Custom Show
Foto: Thais Duffeck

Circo e sua conexão com a arte old school e o universo pin-up

A relação entre o circo e o universo vintage vai além dos palcos. A temática aparece também com frequência nas artes das tatuagens old school, em especial nas produções inspiradas no estilo de Sailor Jerry, um dos grandes nomes da tatuagem tradicional americana. Palhaços, domadoras, acrobatas, animais selvagens e artistas de variedades fazem parte do repertório visual que influenciou gerações de tatuadores e entusiastas desta arte.

Da mesma forma, o universo Pin-up frequentemente recorre a esse tema para ensaios fotográficos, performances e ilustrações, mantendo viva a estética exuberante e a ousadia das artistas de picadeiro. Aqui mesmo no Universo Retrô, o tema já foi protagonista de diversas produções, como para o calendário de 2016, no ensaio da artista circense e Pin-Up, Mona Liza, com inspiração nos mágicos.

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Pin-Up Sherry Stoker - Circo - SC Custom Show
Sherry Stoker no Custom Show (Foto: Thais Duffeck)

Ember Moon: domadora de leões no chair dance acrobático

A Pin-up Ember Moon, de Itajaí (SC), também mergulhou nesse universo ao interpretar uma domadora de leões em uma apresentação de chair dance acrobático. “Desde o início, queria algo que unisse força, presença e ousadia. Ao invés de seguir a linha mais sensual tradicional da chair, fui por outro caminho: algo mais técnico, performático e visualmente impactante, sem perder a elegância dos anos 50”, explica.

Inspirada por referências visuais do filme The Greatest Showman e coreografias do TikTok, Ember trabalhou sua apresentação com auxílio da professora de lira e pole dance. O figurino, feito por sua mãe costureira, também foi pensado para representar a mistura entre o charme das pin-ups e a excentricidade das artistas circenses. “Além de representar minha ideia com perfeição, foi muito especial usar algo feito por ela, porque carrega também esse afeto e conexão familiar que tornam tudo ainda mais significativo pra mim”, completa.

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Pin-Up Ember Moon - Circo - SC Custom Show
Ember Moon (Foto: Reprodução | Instagram)

Rosé Blanch: gangster acrobática e fuga para o circo

A artista burlesca, Drag Queen e Pin-Up Rosé Blanch, paulista radicada em Joinville (SC), também apostou na linguagem corporal do circo para criar sua performance para o concurso Miss SC Custom Show. “Sempre fui fascinada pela arte circense. Tenho uma pin-up na lira tatuada pra representar essa paixão”, conta.

Ex-ginasta e professora de ginástica artística e rítmica, Rosé reuniu suas vivências com tecido, pole dance e contorcionismo em uma apresentação que começou com ares de gangster, mas teve outro desfecho. “Misturei elementos de Al Capone com o Poderoso Chefão e, em seguida, ‘fugi com o circo’ ao som de Bella Ciao”, relembra. A escolha da música, conhecida mundialmente pela série La Casa de Papel, também carrega um forte simbolismo político e histórico, pois marcou a luta contra o fascismo na Primeira Guerra Mundial.

“Próximo à data do concurso, soube que outras meninas também usariam o tema circo para suas apresentações, então decidi acrescentar elementos que quebrassem a ideia de que Pin-ups são apenas mulheres doces, frágeis ou donas de casa”, completa.

Pin-Up Rosé Blanch - Circo - SC Custom Show
Rosé Blanch (Foto: Thais Duffeck)

O força por trás da estética circense

Além do universo das tatuagens e da estética Pin-Up, a estética circense já foi amplamente explorada no burlesco, no cinema e na arte de modo geral ao longo da história. Mas definitivamente ganha novas camadas de interpretação quando surge nos palcos contemporâneos, despretensiosamente, como no caso do Miss Pin-Up SC Custom Show.

Ao trazer esse universo para o concurso do Custom Show, as participantes provam que o tema não se limita à estética. Existe uma forte simbologia por trás de cada performance — seja na força da domadora de leões, na ousadia da contorcionista ou na coragem da engolidora de facas — que dialoga diretamente com a proposta de empoderamento e força feminina que o estilo Pin-up representa nos dias de hoje.

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