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Kaulike ‘Uhane: Primeiro grupo brasileiro a unir música e dança polinésia lança single “Tiare Tahiti”

14 de agosto de 2025, por Mirella Fonzar
Música

Com o som do mar, o balanço da hula e a força da ancestralidade, o grupo Kaulike ‘Uhane promete fazer história na cena cultural brasileira. Formado por Sayuri Yamamoto, Lilian Abe e Luana Nagatani — três brasileiras de ascendência oriental —, o trio é pioneiro no país ao unir música e dança polinésia em um espetáculo que vai além da estética Tiki que encantou o público nas décadas passadas. Sua proposta é oferecer uma experiência autêntica, construída a partir de muita pesquisa, respeito e conexão direta com as tradições do Havaí e do Taiti.

Além de encantadoras apresentações ao vivo, o trio acaba de lançar seu primeiro single, Tiare Tahiti, disponível nas principais plataformas digitais. Trata-se de uma canção tradicional taitiana, carregada de poesia e simbolismo, que convida o público a mergulhar na cultura polinésia e, ao mesmo tempo, revisitar a época em que o “Hawaii” era sinônimo de sonho, exotismo e curiosidade no imaginário popular ocidental.

Apesar de focar no tradicional, o trabalho do Kaulike ‘Uhane dialoga diretamente com a cultura Tiki, que se popularizou no Ocidente a partir dos anos 1940, quando bares e restaurantes nessa temática conquistaram espaço com coquetéis tropicais, estampas florais e trilhas embaladas por ukuleles e tambores. Popularizada pelo cinema de Hollywood, essa estética consolidou-se na cultura Pop dos anos 50 e, até hoje, é resgatada por fãs do estilo retrô. 

Mas, não é só isso. O diferencial do grupo está em exatamente trazer esse universo vintage para o presente, devolvendo contexto e significado ao que antes era tratado apenas como “exótico”. Em entrevista exclusiva ao Universo Retrô, Lilian Abe conta como nasceu o projeto, revela bastidores da gravação de Tiare Tahiti e comenta os desafios de apresentar essa cultura ao público brasileiro. Confira!

Kaulike 'Uhane - Grupo de dança polinésia havaina tiki
Foto: Divulgação | Kaulike ‘Uhane

Universo Retrô – Como surgiu o grupo Kaulike ‘Uhane? E o que significa esse nome?

Lilian Abe – O grupo Kaulike ‘Uhane surgiu a partir da admiração e respeito de seus integrantes pela rica e ancestral cultura polinésia. Movidos pelo encanto da dança Hula, da música, dos cantos tradicionais e da espiritualidade presente com a profunda conexão com a natureza, o grupo nasceu como uma forma de perpetuar esse conhecimento e transmitir essa essência importante da conexão com o todo.

O nome “Kaulike ‘Uhane”, que pode ser traduzido como “equilíbrio da alma”, reflete o propósito do grupo: compartilhar a essência da cultura polinésia, baseado em uma visão de mundo que considera todos os seres e elementos naturais conectados e sagrados, porém precisam de equilíbrio para viverem em harmonia.

Kaulike 'Uhane - Grupo de dança polinésia havaina tiki
Foto: Divulgação | Kaulike ‘Uhane

Universo Retrô – Vocês são o primeiro grupo brasileiro a unir música e dança polinésia. Como foi o caminho até isso acontecer?

Lilian Abe – A vontade de ter um grupo de música e dança Polinésia estava nos planos desde que eu comecei a praticar Hula em 2020, a ideia sempre foi percorrer o litoral mostrando essa cultura que tem ligação profunda com o mar. Eu sempre participei das principais apresentações do Hula Aloha Brazil (Escola Internacional de Tradições e Cultura Polinésia), e o desejo de ter um grupo que une música e dança Polinésia só foi aumentando, ainda mais quando percebi que as apresentações sempre são feitas no playback. 

O pontapé veio do nosso querido amigo Johnny Crash em 2024, que me fez um convite mais do que especial para dançar Hula no Sesc Santos junto do projeto dele: A Guitarra Havaiana de Johnny Crash, e outros músicos. Foi a partir daí que nasceu o Grupo Kaulike ‘Uhane, com a Sayuri na voz e ukulele, eu e a Luana como as Hula Girls do projeto.

Apresentação de Kaulike ‘Uhane com o projeto A Guitarra Havaiana de Johnny Crash, no Sesc Santos (Vídeo: Youtube)

Universo Retrô – Você citou que pratica Hula desde 2020. Como foi a formação de vocês nesse campo para trabalhar com música e dança da Polinésia?

Lilian Abe – A Sayuri, que também é vocalista e baixista da banda Los Clandestinos, é musicista experiente e multi instrumentista com mais de 15 anos de carreira; o ukulele era um amor antigo dela. Então, quando propus para ela começar a tirar e cantar as músicas em havaiano e taitiano, ela super topou o desafio. Desde então, começamos a fazer apresentações esporádicas junto da escola de Hula, onde faço aula. 

A Luana dança diversos estilos e estudou comigo na Escola Internacional de Cultura e Tradições Polinésias Hula Aloha Brazil, onde também fez aulas de Hula Kahiko e Auana com um Kumu (professor) do Havaí. Eu, há cinco anos, sou haumana (estudante) de Hula e Ori Tahiti na mesma escola, com especialização em Hula Kahiko e Auana. Atuo como Alakai (líder de sala) e ministro aulas e workshops sobre hula e tradições polinésias.

Todas nós buscamos aprender com professores diretamente ligados à cultura polinésia, participando de aulas, workshops, imersões e formações contínuas, tanto no Brasil quanto com referências internacionais. Estudamos não só os movimentos e técnicas, mas também a história, o idioma, os significados simbólicos, os mitos, a espiritualidade e os valores por trás de cada canto e dança.

Kaulike 'Uhane - Grupo de dança polinésia havaina tiki
Foto: Divulgação | Kaulike ‘Uhane

Universo Retrô – Como equilibram o respeito às tradições culturais com a tropicalização brasileira da estética tiki?

Lilian Abe – Nós do Kaulike ‘Uhane temos muito cuidado e responsabilidade ao representar a cultura havaiana e polinésia. Nosso foco está no respeito às tradições culturais autênticas, especialmente no que diz respeito ao Hula, aos cantos, às vestimentas e ao significado espiritual por trás de cada música e dança.

Sabemos que no Brasil existe uma forte influência da estética tiki, que muitas vezes mistura elementos polinésios com uma abordagem mais decorativa, tropicalizada e comercial. Embora compreendamos esse imaginário popular, e também gostamos, buscamos sempre diferenciar o nosso trabalho como uma representação cultural profunda e verdadeira, e não como uma adaptação estilizada.

Para nós, é fundamental honrar a origem dessas tradições, estudando com professores e fontes confiáveis, aprendendo a língua, os significados e a filosofia por trás do que apresentamos. São horas e horas de estudos. Ao mesmo tempo, procuramos criar pontes com o público brasileiro, mostrando que é possível apreciar e celebrar outra cultura com respeito e autenticidade, sem desrespeitar sua essência.

Nosso compromisso é não abrasileirar de forma superficial ou caricata, mas sim acolher o público com a vibração do Aloha, mantendo sempre viva a integridade das danças, músicas e seus significados.

Kaulike 'Uhane - Grupo de dança polinésia havaina tiki
Foto: Divulgação | Kaulike ‘Uhane

Universo Retrô – Como o público brasileiro tem recebido as apresentações de vocês?

Lilian Abe – O público tem nos recebido com muito carinho, curiosidade e respeito. Muitas pessoas se encantam ao conhecer a cultura havaiana pela primeira vez, se emocionam com os movimentos do hula, com as músicas, os trajes, e principalmente com a energia do Aloha, que é algo que realmente toca o coração. Tem sido muito gratificante ver como nossa apresentação desperta sentimentos profundos nas pessoas, mesmo em quem nunca teve contato com a cultura polinésia. Elas sentem a espiritualidade, a conexão com a natureza e a harmonia que essa tradição transmite. Estamos muito felizes em conseguir transmitir essa energia e também dispostas a responder a qualquer curiosidade ou dúvidas das pessoas.

Universo Retrô – Por que decidiram gravar “Tiare Tahiti” como o primeiro single do grupo? O que os atraiu nessa canção tradicional para adaptá-la ao público brasileiro?

Lilian Abe – Escolhemos “Tiare Tahiti” como nosso primeiro single porque ela representa, de forma profunda e delicada, a beleza da cultura polinésia. É uma canção tradicional que fala sobre a flor tiare, símbolo do Taiti, mas que carrega também sentimentos universais como o amor, a saudade e a conexão com a terra. Foi a maneira perfeita de apresentar o espírito do grupo Kaulike ‘Uhane: algo que nasce da tradição, mas que também deseja alcançar corações de diferentes lugares, inclusive aqui no Brasil.

Ao adaptá-la ao nosso estilo, pensamos com muito carinho em como manter a essência da canção e sua melodia, sua doçura e seu respeito cultural ao mesmo tempo em que a tornamos acessível e tocante para o público brasileiro, que muitas vezes está descobrindo essa cultura pela primeira vez.

A escolha de “Tiare Tahiti” foi um gesto de reverência às raízes polinésias, mas também um convite para que mais pessoas possam se encantar, se conectar e sentir o Aloha através da música. Inclusive, tivemos o total aval da talentosa compositora de Tiare Tahiti Grace Laughin para isso, que recebeu a ideia de braços abertos.

Kaulike 'Uhane - Grupo de dança polinésia havaina tiki
Foto: Fernanda Luz | Divulgação Kaulike ‘Uhane

Universo Retrô – Como foi o processo de gravação do single? Vocês buscaram manter um viés mais tradicional ou incluíram também influências brasileiras?

Lilian Abe – O processo de gravação do nosso primeiro single foi muito especial e feito com bastante dedicação. Desde o início, nossa prioridade foi honrar a tradição da canção “Tiare Tahiti”, respeitando sua melodia, sua origem e o sentimento que ela carrega, afinal, é uma música ligada à identidade cultural do povo taitiano.

Ao mesmo tempo, por sermos um grupo brasileiro, sentimos naturalmente a influência da nossa própria vivência musical. Por isso, decidimos incluir sutis elementos brasileiros na interpretação e na produção, como pequenas nuances rítmicas e sensibilidade nos arranjos, sem descaracterizar a essência da música original.

Todos os instrumentos foram gravados pela Sayuri no estúdio do Joe Marshall: Hot Jail Studio, que ajudou a gente em todos os detalhes. Foi um processo de muito cuidado e pesquisa: queríamos que o resultado fosse autêntico e respeitoso, mas também que criasse uma ponte com o nosso público, algo que se ouve e sente de forma íntima, mesmo sendo em uma língua e cultura diferente.

O objetivo foi justamente esse, traduzir o espírito do Aloha e da cultura polinésia em uma linguagem que o público brasileiro pudesse sentir de verdade, sem perder a raiz tradicional.

Kaulike 'Uhane - Grupo de dança polinésia havaina tiki
Foto: Divulgação | Kaulike ‘Uhane

Universo Retrô – Como foi a pesquisa e preparação para essa versão — tanto na parte musical quanto na coreografia?

Lilian Abe – A preparação para essa versão foi um processo bem cuidadoso, que envolveu tanto pesquisa cultural quanto responsabilidade na criação artística. Na parte musical, buscamos referências tradicionais da canção “Tiare Tahiti” para compreender sua melodia original, instrumentação e sentimento. Estudamos a língua taitiana, o significado da letra e o contexto da música, para garantir que tudo o que fosse interpretado partisse de respeito e compreensão cultural.

Na parte coreográfica, o processo foi igualmente respeitoso e detalhado. Pesquisamos movimentos tradicionais do ?Ori Tahiti ligados ao tema da música, como o simbolismo da flor tiare, gestos de saudade, beleza e conexão com a terra. A coreografia sempre é pensada para traduzir a história da canção com o corpo, mantendo a expressividade que a dança polinésia carrega.

Tudo foi feito com muito amor, estudo e escuta, tanto da cultura de origem quanto do nosso próprio papel enquanto artistas brasileiros lidando com esse tema. O objetivo foi criar algo autêntico, sensível e verdadeiro, capaz de tocar corações sem ultrapassar limites culturais.

Kaulike 'Uhane - Grupo de dança polinésia havaina tiki
Foto: Divulgação | Kaulike ‘Uhane

Universo Retrô – Além de “Tiare Tahiti”, há outras músicas ou coreografias tradicionais que pretendem adaptar?

Lilian Abe – Sim! “Tiare Tahiti” foi apenas o começo de um projeto que busca honrar e compartilhar a riqueza da música e da dança tradicional polinésia com sensibilidade e respeito.

Temos pesquisado outras canções e criado outras coreografias, tanto do Taiti quanto do Havaí, que carregam histórias, símbolos e sentimentos universais, e que acreditamos que podem tocar também o público brasileiro. O nosso processo é sempre cuidadoso: antes de adaptar qualquer música ou dança, mergulhamos em seu significado, origem, função cultural e contexto, para que tudo seja feito de forma ética e consciente.

Nosso objetivo não é simplesmente “fazer versões”, mas criar pontes entre culturas, mantendo a autenticidade das raízes polinésias e ao mesmo tempo despertando interesse, emoção e conexão por meio da arte. Em breve, novas canções e coreografias chegarão, sempre com o espírito Aloha guiando cada escolha.

Universo Retrô – Vocês pretendem lançar músicas autorais? Um álbum está nos planos?

Lilian Abe – Por enquanto, estamos focados em aprofundar nosso trabalho com músicas tradicionais e versões adaptadas, sempre respeitando a cultura e os significados por trás de cada canção e dança. Mas criar músicas autorais está, sim, entre as possibilidades para o futuro. Queremos que esse seja um processo natural, nascido do amadurecimento do grupo e da vivência com a cultura polinésia. Um álbum pode acontecer quando sentirmos que é o momento certo.

Kaulike 'Uhane - Grupo de dança polinésia havaina tiki
Foto: Divulgação | Kaulike ‘Uhane

Universo Retrô – A moda também é um aspecto forte no grupo. Como funciona a escolha dos figurinos das apresentações?

Lilian Abe – O figurino da Hula (dança tradicional havaiana) quanto da Aparima (dança tradicional do Tahiti) é uma parte essencial da cultura Polinésia e vai muito além da estética, ele carrega significados profundos. Usar o figurino fora de contexto ou de forma caricata pode ser considerado desrespeitoso.

O figurino pode variar bastante dependendo do tipo de Hula (Hula Kahiko ou Hula ‘Auana) e a escolha é sempre de acordo com o que o mele (música) está dizendo. Cada peça usada tem um propósito e um significado que reforça a mensagem da música e dança, conectando a dançarina com o todo para que a narrativa da música seja transmitida. Por isso, temos as trocas de figurinos e acessórios nas apresentações.

Universo Retrô – Quais são os próximos projetos do grupo? Podemos esperar novos shows, clipes ou parcerias?

Lilian Abe – Sim! Estamos com dois clipes em fase de produção e muito empolgadas para compartilhar esse novo trabalho com vocês, um deles é com o nosso amigo Johnny Crash. Cada vídeo está sendo pensado com muito carinho para valorizar tanto a estética quanto a essência da cultura polinésia. Além disso, já estamos nos preparando para o verão, que é sempre uma época intensa de apresentações. Podem esperar novos shows, encontros e momentos especiais! Vem muita coisa bonita por aí.

Universo Retrô – Onde os fãs podem acompanhar o trabalho de vocês e ouvir “Tiare Tahiti”?

Lilian Abe – Podem acompanhar nosso trabalho pelo Instagram @Kaulike.Uhane, onde compartilhamos bastidores, apresentações, curiosidades e novidades. E a nossa música “Tiare Tahiti” já está disponível no Spotify e em outras plataformas digitais — é só procurar pelo nosso nome e curtir! Estamos muito felizes com esse primeiro lançamento e já preparando mais novidades.

Universo Retrô – Se vocês pudessem deixar uma mensagem para quem está conhecendo o grupo agora, qual seria?

Lilian Abe – Se você está conhecendo o Kaulike ‘Uhane agora, nossa mensagem é: E Komo Mai, seja bem-vindo a esse universo cheio de ancestralidade, beleza e mana, a energia vital que move tudo na cultura polinésia! Nosso trabalho é feito com muito respeito, pesquisa e amor, e queremos que cada música e cada dança toque o coração de quem escuta e assiste. Mais do que performar, queremos compartilhar experiências que celebrem a conexão com a natureza, com o sagrado e com a força do Aloha. Mahalo e Maluhia!

Ouça agora no Spotify Tiare Tahiti!

Siga Kaulike ‘Uhane no Instagram: @kaulike.uhane

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