Home > Destaque > A história por trás do Dia Internacional da Mulher

A história por trás do Dia Internacional da Mulher

7 de março de 2016, por Inajara Barbosa
Lifestyle
Operárias

Operárias na fábrica Triangle Shirtwaist (Foto: Reprodução)

Dia 08 de março comemora-se em todo o mundo o Dia internacional da Mulher. Mas, por que este dia em especial ganhou tamanha importância para as mulheres do mundo todo e por que exatamente todas as mulheres, independente de raça, credo, orientação política, devem conhecer os fatos por trás desta data?

Para começar “bem do começo”, temos que voltar um pouquinho no tempo, mais precisamente para a Nova Iorque do século 19. Como é de se imaginar, a cidade naquela época nada tinha a ver com o que nós vemos hoje em dia, com letreiros brilhosos e arranha céus, ou o glamour de filmes clássicos, como Bonequinha de Luxo (na verdade, é só assistir Gangues de Nova York que você terá uma boa ideia).

Nova Iorque começava a se consolidar como um grande centro de negócios, abrindo comércios e fábricas em todos os cantos da cidade e atraindo migrantes do sul dos Estados Unidos e imigrantes de diversos países da Europa. Entretanto, as condições de trabalho nessas fábricas eram desumanas, tanto para homens como para mulheres. Então, em 8 de março de 1853, as trabalhadoras do setor têxtil, em sua maioria imigrantes europeias, organizaram a primeira greve do setor.

Greve

Trabalhadoras e trabalhadores na primeira greve do setor têxtil, 1857 (Foto: Reprodução)

Fizeram marchas e piquetes, exigindo melhores condições de trabalho (elas tinham uma jornada de 10 trabalho por dia, sem benefícios, baixos salários… sem contar os problemas como estupro e assédio), e igualdade de direitos para as mulheres. A greve foi duramente repreendida pela polícia e nenhuma das reivindicações foram atendidas. Mesmo com a manifestação acabada, esta foi a base para os primeiros sindicatos femininos. Mesmo com a virada do século e a crescente modernização de Nova Iorque, as condições de trabalho continuavam as mesmas, principalmente para o trabalho feminino.

Honrando a primeira manifestação de 1853, 15 mil mulheres do setor de vestuário foram à Union Square, empunhando cartazes e reivindicando melhores condições de trabalho, o fim do trabalho infantil, sufrágio feminino e direitos iguais. Daí, surgiu o slogan “Bread and Roses” (Pão e Rosas), com o pão simbolizando a segurança econômica e as rosas melhores condições de vida. A manifestação também foi combatida pela polícia, mas logo surgiram outras greves pela cidade. Em maio de 1908, o Partido Socialista da América declarou no último domingo de fevereiro de cada ano seria comemorado o Dia Nacional da Mulher.

Conferência Copenhague

Foto tirada na Conferência Internacional de Copenhague (Foto: Reprodução)

Dois anos depois, em 1910, o Dia Internacional da Mulher (na época Dia internacional das Mulheres Trabalhadoras) foi introduzido no calendário durante a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas na Dinamarca, sem uma data fixa de início por falta de consenso. Em 1911, a data foi comemorada no dia 19 de março em vários países da Europa.

 Triangle Shirtwais

Incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist (Foto: Reprodução)

Entretanto, uma tragédia nos Estados Unidos mudaria toda a história: o incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist, no dia 25 de março, em Nova Iorque.

Até hoje, este é um dos piores incêndios da história dos Estados Unidos. A fábrica ficava era no oitavo andar do edifício Arsch, em Greenwich Village, Manhattan, e se encontrava com portas e acessos às escadas trancados (prática comum na época para impedir pausas não autorizadas e furtos).

O fogo se espalhou rapidamente por conta da quantidade de material inflamável e logo transformou o local num espetáculo de horror. Pessoas nas ruas assistiam os funcionários pularem das janelas desesperados, enquanto se ouvia os gritos das mulheres presas no andar. No total, foram 146 mortos, 23 homens e 123 mulheres, em sua maioria imigrantes judeus e italianos, com idades em média entre 16 e 23 anos.

O incêndio se tornou não só um marco na cidade de Nova Iorque, que obrigou a todos os edifícios a se enquadrar em novas normas de segurança, mas também se tornou um símbolo de luta para os sindicatos de mulheres, não só dos Estados Unidos, como no mundo. Por conta do ocorrido, acabou por se decidir que 8 de março seria a data oficial, tanto em memória dos movimentos grevistas do passado, quanto em respeito as jovens mortas no incêndio da Triangle Shirtwaist.

Infelizmente, essa história de lutas vem se perdendo hoje em dia, embora ainda existam países no mundo em que a mulher sequer tem o direito de dirigir um carro, quem dirá expressar sua opinião ou votar, por exemplo. Vivemos em uma democracia e gozamos de liberdade, inclusive, para escrever este texto, graças a essas mulheres do passado, trabalhadoras que acreditavam que um dia nós alcançaríamos a liberdade e igualdade!

Matérias Relacionadas
Mahara Albertoni
Empreendedorismo retrô: Os desafios enfrentados pelas mulheres que investem no mercado da nostalgia
Editorial Universo Retrô Semana da Mulher: Seja retrô, não retrógrado!
8 ícones da moda; saiba quem são as mulheres que revolucionaram o universo da moda
Conheça as mulheres reais que inspiraram canções famosas

2 Responses

  1. Ana

    Boa tarde,
    Há uma contradição no texto. No terceiro parágrafo do texto, fala que a primeira greve aconteceu em 1857….
    Porém já no quinto parágrafo fala que foi em 1853. Gostaria só que me sclarecesse qualo ano correto, pois estou fazendo um trabalho sobre este assunto e gostaria de usar esse artigo como referência.
    desde já agradeço.

    Ana Lúcia

    1. Oi Ana Lucia, tudo bem? Pedimos desculpas pelo ocorrido, foi uma falha de digitação. No caso a primeira greve foi no dia 08 de março de 1853 mesmo. Aproveitamos a sua observação e já corrigimos a matéria. Ficamos felizes e lisonjeadas que irá usar o artigo como referência. Sucesso no trabalho. Abraços.

Deixe um comentário

18 + nove =