Home > Destaque > Bate-Papo com Os Artefactos, banda promissora da cena mod paulistana

Bate-Papo com Os Artefactos, banda promissora da cena mod paulistana

7 de fevereiro de 2017, por Daise Alves
Música
Os Artefactos

Com menos de 1 ano de atuação, Os Artefactos, banda composta por Gabriel Guerra (voz e guitarra), Caio Zanini (voz e guitarra ), Ciro Jarjura (gaita, percussão e voz), Caio Hafermann (contrabaixo) e Victor Keller (bateria), já é conhecida como um grupo promissor na cena mod paulistana.

Inspirados por bandas como The Who (anos 60) e The Jam (anos 70), a banda se apresenta no próximo sábado (11), no Mods MayDay, evento que reunirá outras 3 bandas (The Charts, Modulares e Efedrinas) para o lançamento do livro Nós Somos os Mods de André Carmona.

Para entender um pouco mais sobre essa subcultura, batemos um papo com os integrantes Gabriel, Caio Zanini, Caior Hafermann e Victor. Confira a seguir:

Universo Retrô – Vocês são uma banda bem recente dentro da cena mod, mas apesar de ser uma banda nova, com certeza vocês já estão inseridos dentro da subcultura há muito tempo. O que os inspiraram a criar esse projeto?

Gabriel: Todos d’Os Artefactos tivemos uma adolescência ligada a subculturas e a música, passando por diversas bandas. A última banda que formei tocava power pop e foi um momento em que me aproximei muito da cultura mod. Ao longo dos anos, porém, fui sentindo falta de criar um projeto mais nitidamente inspirado em música negra, aí descobri que o Caio Zanini estava com planos bem parecidos com os meus.

Até decidirmos fazer uma banda com essas características: RnB, anos 60 e estética mod como base, mas sem medo de lançar mão de diversificar e de fazer música com uma interpretação mais contemporânea. Temos referências claras, mas não temos a pretensão de ser uma cópia fiel do que já foi feito. O Victor, Ciro e Caio Hafermann são amigos de outros carnavais e também têm referencias e propósitos parecidos. Sem eles, não ia rolar.

Universo Retrô – A primeira apresentação de vocês foi em novembro do ano passado no Bugalú. Como foi a aceitação do público diante da música de vocês?

Caio Zanini – Eu sempre acreditei que a nossa formação era no mínimo curiosa, principalmente para causar uma primeira impressão. Todos os integrantes da banda já tiveram ou têm outros projetos que ganharam certa notoriedade no underground paulistano. Acho que isso despertou o interesse de muitas pessoas em conhecer a banda, além da proposta de uma sonoridade mais clássica e “tranquila”, que hoje é um pouco escasso por aqui.

A aceitação do público foi maior do que esperávamos, já que o primeiro show mantivemos o foco em entender como a banda funcionaria diante da pressão e das adversidades, que são muito comuns nessas primeiras experiências. Grandes amigos, bandas e pessoas que nem conhecíamos deram devolutivas maravilhosas. Falaram sobre a capacidade das nossas músicas próprias, da energia do som e dos integrantes, das escolhas dos covers…

Enfim: nos sentimos confiantes para seguirmos em frente e também somos muito gratos pela oportunidade e a todos que nos prestigiaram aquele dia.

Universo Retrô –  Para esse início estão trabalhando apenas com músicas covers ou originais? O iremos encontrar no trabalho de vocês?

Caio Zanini – Nosso repertório é composto por músicas autorais e covers, sendo que boa parte do repertório é dedicado aos sons próprios. Todos nós somos muito fãs de músicas dos anos 60, principalmente R&B e Blues. Então, em nosso show, você vai ouvir um pouco de The Who a Bo Diddley, entre outras paradas desta época.

Quanto ao som próprio, passeamos por diversos cenários musicais que fazem parte do universo mod e gostamos de diversificar a sonoridade, com músicas mais agitadas e outras mais lentas.Dá pra sacar um pouco da pegada em nossa página no soundcloud.

Caio Hafermann – Covers e originais. A ideia é focar mais nas músicas próprias e os covers dão meio que as diretrizes da banda.

Universo Retrô – Para bandas mods que estão começando, existem lugares específicos que abrem espaço para esse tipo de música?

Gabriel – São poucas as casas que dão espaço à bandas independentes de música autoral, e as bandas acabam geralmente por tocar nesses lugares que não são voltados especificamente ao estilo X, Y ou Z, mas são abertos à cultura underground de uma maneira geral.

 Os Artefactos

Integrantes da banda Os Artefactos (Foto: Reprodução)

Universo Retrô – Quais são os maiores desafios que uma banda independente com um estilo musical mais específico pode enfrentar?

Victor – Acredito que a maior dificuldade é romper esta barreira da especificidade e tentar atingir novos públicos e novos espaços. Apesar de haver bastante gente que se interessa pela cultura mod e outras sub-culturas com as quais dialogamos, ainda assim é um público restrito e para conseguirmos continuar tocando e crescendo é fundamental expandirmos os horizontes e alcances do nosso som.

Caio Hafermann – Na verdade, acho que o fato de tocarmos um estilo de música mais específico, é algo que conta mais ao nosso favor do que contra, porque acaba despertando a curiosidade de quem não conhece a fundo o gênero, e por outro lado já tem um público específico que tá propenso a ir aos shows.

Universo Retrô – A estética também faz parte da subcultura mod. É possível adorar o estilo musical sem se importar com o visual ou adotar o visual sem se interessar tanto pela música ou um é o complemento do outro?

Gabriel – Acho que música é um elemento central na maioria das subculturas. No caso dos mods, o que mais chama atenção além da música é o visual. Mas cada indivíduo pode se interessar mais ou se interessar menos pelas características e manifestações típicas de uma cultura com a qual se identifica. Uma pessoa pode se importar bastante com música e com visual, mas não gostar de passar a noite toda em um baile. A outra pode se importar bastante com música e andar de Vespa, mas não dar a mínima para o visual.

Também é possível se interessar mais pela viés filosófica do mod, de não conformismo por exemplo, e apreciar músicas do universo musical mod que tragam isso, mas sem se preocupar com códigos mais vistosos como lambretas e roupas. A subcultura mod é complexa e passou por muitas adaptações ao longo das décadas. Além disso, há dentro dela um certo espaço para a interpretação e a criatividade pessoal de cada um.

Por último, vale dizer que é difícil alguém ser “exclusivamente mod” o tempo todo; as pessoas vivem e se identificam com culturas diferentes simultaneamente, então não seria estranho ver alguém ouvindo e vestindo coisas consideradas mod, mas misturando isso com referências externas ao que é considerado típico dessa subcultura.

Os Artefactos

Os Artefactos fazendo show (Foto: Divulgação)

Universo Retrô – Para quem está descobrindo esse estilo musical agora. Quais são as características do som mod?

Gabriel: Não há exatamente um estilo musical mod, mas uma variedade de gêneros que são ligados direta ou indiretamente à cultura: de soul a punk rock, de RnB a britpop, de jazz moderno a funk, de powerpop a ska. Psicodelia, blues, garage rock, garage punk, rocksteady, não é raro tudo isso também entrar nos toca-discos de pessoas que se identificam de alguma forma com a cultura mod. Mod é mais uma coisa de identidade cultural do que um gênero específico.

Universo Retrô – Ainda para quem está começando agora, quais são os caminhos que devem ser seguidos para aprender ainda mais sobre essa subcultura?

Gabriel – Tem muito a se pesquisar na internet, também há filmes e livros, mas o que eu acho essencial é frequentar os espaços e trocar ideia. Só assim saímos de uma visão artificial e estereotipada do que significa essa subcultura e conhecemos verdadeiramente a forma com que ela se manifesta aqui e agora.

Caio Hafermann – Acho que o essencial é começar ouvindo as bandas principais do gênero e com isso você já começa a adquirir uma referência visual, do que as bandas falam, entre outras coisas. É a porta de entrada pra entender a sub-cultura.

Caio Zanini – Uma ótima introdução é o livro Nós Somos os Mods, do escritor e jornalista André Carmona. É um relato interessante sobre esta subcultura tipicamente britânica que ganhou uma nova interpretação na cidade de São Paulo com bandas como Charts, Faces e Fases, Ira!, Laboratório SP, entre tantas outras bandas e pessoas que são essenciais para a concretização da cena por aqui.

Ciro Jarjura

Ciro Jarjura, gaita, percussão e voz na banda Os Artefactos (Foto: Divulgação)

Universo Retrô – O que estão preparando para a apresentação Mods Mayday?

Caio Zanini – O nosso melhor! Será o nosso terceiro show e estamos muito empolgados para compartilhar o palco com bandas tão respeitadas e influenciadoras para nós. Além disso, com certeza será um encontro de diferentes gerações e uma ótima oportunidade de mostrarmos para o que viemos.

Victor – Um rockão da porra!

Universo Retrô – Onde podemos encontrar mais informações sobre Os Artefactos?

Caio Zanini – Sempre estamos falando de novidades, shows e músicas nos nossos canais online, que são o Facebook  e o Soundcloud. A ideia é sempre alimentar essas plataformas com bastante conteúdo, então curte lá que você vai ficar por dentro de tudo que estamos fazendo.

Victor: E nos shows também! Compareçam!

SERVIÇO
Festa Mods MayDay
Lançamento “Nós Somos os Mods” de André Carmona
Shows: The Charts, Modulares, Efedrinas, Os Artefactos
DJs: Kalota e Cintia Sixtie.
Local: Morfeus Club (Rua Ana Cintra, 110 – Santa Cecília, São Paulo/SP_
Hora e data: 16h, dia 11/02/2017 (sábado)
Entrada: R$ 20,00 com nome na lista (modsmaydaysp@gmail.com), R$ 25,00 na porta

Matérias Relacionadas
The Charts
Scooteria Paulista recebe a banda mod ‘The Charts’ nesse sábado
Fases e Faces
Livro ‘Nós Somos os Mods’ é o primeiro registro oficial sobre a cena mod paulistana
Mods MayDay
Nostálgicos e com muita energia: Saiba tudo o que rolou no Mods MayDay
Banda Efedrinas
Efedrinas estará no palco do Mods MayDay; veja nosso bate-papo com o baterista Caetano Sevilla

Deixe um comentário

três × três =