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Editorial Universo Retrô Semana da Mulher: Seja retrô, não retrógrado!

8 de março de 2016, por Daise Alves e Mirella Fonzar
Lifestyle

Aproveitando a Semana Internacional da Mulher e dando continuidade aos debates sobre o Empoderamento Feminino, nós, editoras-fundadoras do Universo Retrô (Daise Alves e Mirella Fonzar, prazer!), resolvemos dar as caras por aqui para – além de mostrar este incrível ensaio que fizemos com a fotógrafa Ka Uziel – bater um papo sobre algo que consideramos muito importante para o desenvolvimento continuo da nossa sociedade.

Como já devem imaginar, assim como vocês, somos apaixonadas por todo esse universo vintage, incluindo a estética do passado, as músicas, os filmes, a moda, a decoração e por aí vai. Tudo que é antiguinho nos encanta. Ou melhor… quase tudo! Pois, quando pensamos em algumas atitudes e ideias adotadas no passado, nossos olhos não brilham com tanta frequência e temos a certeza de que nascemos na época certa.

Mirella Fonzar e Daise Alves

Mirella Fonzar e Daise Alves (Foto: Ka Uziel)

Em uma de nossas recentes conversas, colocamos em questão exatamente essa imensa diferença que há entre ser uma pessoa de estilo retrô e alguém de pensamento retrógrado. Como representantes de um veículo de comunicação aparentemente nostálgico, acreditamos que é muito importante debater, de vez em quando, essa idealização romantizada que costumamos fazer do passado, para entender o que devemos trazer de volta como referência e o que deve ficar para trás.

Não é porque nos inspiramos nas belas mulheres dos anos 40 e 50, por exemplo, que precisamos nos submeter a determinadas situações que elas se submeteriam naquela época, pois não tinham escolha. Se não quisermos ser “Housewives” (donas de casa), não seremos menos mulheres por conta disso. E o mesmo acontece se quisermos cuidar dos filhos e do lar ao invés de trabalhar fora. Ou, então, optarmos por nos relacionar com alguém do mesmo sexo. Jamais podemos deixar que alguém nos julgue por conta de nossas escolhas, pois elas são exclusivamente nossas.

(Foto: Ka Uziel)

(Foto: Ka Uziel)

Nosso estilo pode ser retrô, mas nossas ideias jamais devem ser retrógradas. Neste caso, debater as possibilidades futuras e entender o passado é inevitável. Devemos perceber que nós, mulheres de 2016, temos muito mais do que tiveram nossas mães e avós que viveram suas juventudes no século passado, numa sociedade muito mais machista e conservadora do que hoje em dia. Temos muito mais liberdade, oportunidades e igualdade do que elas tiveram.

Por isso, devemos olhar para trás e agradecermos a todas essas guerreiras que lutaram para que o nosso mundo, hoje, fosse um pouco melhor do que o delas foi um dia. Sem nunca desejar retroceder em nossos direitos, sempre tentando honrar o nosso posto neste processo, para que um dia, quem sabe, as próximas gerações olhem para nós agradecidas por tudo o que fizemos, como olhamos hoje para quem viveu no século passado e resolveu acreditar que as regras como eram não estavam funcionando.

(Foto: Ka Uziel)

(Foto: Ka Uziel)

Agradecemos às Pin-up Girls originais, que saíram de casa para serem fotografadas semi-nuas, numa sociedade extremamente conservadora; às poucas cantoras que driblavam seus afazerem domésticos e saiam em turnês exaustivas e mal pagas; às jovens garotas que seguiam suas próprias vontades e quebravam as regras sexuais estabelecidas; às mulheres que lutaram pelo direito ao divórcio… e assim por diante!

Um pouco das conquistas femininas do passado, que você não faz ideia como é viver sem hoje:

  • O direito ao trabalho fora do lar;
  • O direito ao voto;
  • Praticar esportes;
  • Direito ao divórcio;
  • Poder candidatar-se a cargos políticos ou executivos;
  • Direito de evitar a gravidez com contraceptivos;
  • Usar calças compridas;
  • Transar antes do casamento;
  • Poder matricular-se em curso superior;
  • Liberdade para adotar ou não o sobrenome do marido;
  • Em caso de separação, poder requerer a guarda dos filhos;
  • Trabalhar em cargos orginalmente masculinos, etc.

Obviamente, ainda não atingimos a completa evolução no que diz respeito ao direito feminino, mas acreditamos que estamos caminhando na direção certa. Apesar das estatísticas ainda nos amedrontarem bastante, crescem os grupos em defesa e amparo às mulheres, já temos leis criadas para defender-nos contra a violência, como a Maria da Penha (jamais imaginada na década de 50, por exemplo), delegacias especializadas no gênero, e muito mais. E o mais importante: estamos ganhando consciência de que a nossa luta deve ser diária.

(Foto: Ka Uziel)

(Foto: Ka Uziel)

Falamos acima sobre o que conquistamos no passado, mas, e o que queremos para o futuro? Listamos alguns dos nossos principais desejos:    

  • Andar na rua com a roupa que quisermos sem receber uma cantada;
  • Não colocar a culpa de uma traição exclusivamente na mulher;
  • Ser reconhecida no mercado de trabalho pelas nossas capacidades e não pela beleza física;
  • Não ser julgada pelo nosso corpo ou aparência que temos;
  • Andar na rua sozinha sem medo de sofrer abuso;
  • Decidir quando e com quem queremos transar;
  • Igualdade salarial e de oportunidades;
  • Ter escolha sobre a maternidade;
  • O direito de não querer cozinhar ou fazer algum serviço doméstico;
  • Poder transar no primeiro encontro sem julgamentos;
  • O direito de não querer casar e não ser cobrada por isso;
  • Sermos donas do nosso próprio corpo;
  • Respeito como ser humano.
(Foto: Ka Uziel)

(Foto: Ka Uziel)

Esse texto é a nossa forma de agradecer e homenagear todas as moças transgressoras do passado, que resolveram olhar para frente e sonhar com um mundo mais justo e igualitário. Além de ser uma oportunidade para convidar nossas garotas de hoje (e por que não garotos também?) para repensar conosco sobre o futuro, através do debate consciente, das contestações inteligentes e de uma visão fora da caixinha.

Afinal, você é retrô ou retrógrado?

Daise Alves (Foto: Ka Uziel)

Daise Alves (Foto: Ka Uziel)

Mirella Fonzar (Foto: Ka Uziel)

Mirella Fonzar (Foto: Ka Uziel)

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Dois beijos,

Daise e Mirella.

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4 Responses

  1. As fotos estão incríveis, mas mal dá pra prestar atenção pq eu tô ocupada demais balançando a cabeça concordando com tudo que vocês escreveram. Não dá pra negar tudo que as mulheres já conquistaram e tudo que a gente precisa conquistar. Já vi muita gente defendendo que as mulheres deveriam ser como eram nos anos 50, acho um absurdo, cada um deve ser o que e como quiser, afinal, lutaram tanto pra gente ter a livre escolha, né?

    Um post incrível meninas <3 Parabéns :)

    Beijos!

    1. Oi Le, ficamos felizes que gostou da matéria e das fotos. Realmente, essa comparação com as mulheres do anos 50 é um assunto bem complicado. Mas, todas nós estamos aqui para isso, para quebrar esses paradigmas :)

  2. Meu deus, que demais esse post (e que fotos lindasss), vocês ahazaram muito. Concordo com tudo que escreveram, e também dou um amém por ter nascido na época em que nasci (que ainda tem muuuito o que melhorar, claro), ao invés da época em que decidir me inspirar somente na moda, e não nas posições machistas, racistas e homofóbicas que era muito mais comum nessa época. Enfim, amei o post! Beijos, meninas :*

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