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Madeleine Peyroux faz show em SP, com direito a canção de Tom Jobim

21 de maio de 2015, por Mirella Fonzar
Música
Madeleine Peyroux

Madeleine Peyroux não é tão popular fora do nicho do jazz e do blues, mas consegue cativar até o mais leigo no assunto. Com um timbre que, muitas vezes, lembra Billie Holliday e até Amy Winehouse, a cantora americana, que costumava se apresentar pelas ruas de Paris, encantou o público brasileiro em sua última apresentação, no dia 20 de maio, na Sala São Paulo, centro da capital paulista.

No primeiro show da série de concertos beneficentes TUCCA Música pela Cura, em prol das crianças com câncer, a cantora e sua pequena banda, apostaram em sucessos da carreira, clássicos do blues e do jazz, e até em música brasileira e jamaicana. Tudo num clima bem descontraído, que não foi quebrado nem pela seriedade do suntuoso teatro – bem diferente das esquinas parisienses, onde Madeleine costumava se apresentar no começo da carreira.

Acompanhada por Jon Herington (guitarra) e Barak Mori (contrabaixo), a cantora, que se revezava entre violão e ukulelê, apostou nos improvisos de suas próprias canções e versões de sucessos já consagrados pelo pelo público. Abrindo o show com “Take These Chains” – Hank Williams, seguido pelo clássico “Bye Bye Love” – Buddy Holly e “Between the Bars” – Elliot Smith.

Para a surpresa do público, durante toda a apresentação, a cantora falou português e reverenciou o Brasil, afirmando que somos “o país do amor” e fica fácil apresentar suas canções românticas em nossas terras. Fugindo um pouco do repertório programado, disse ao público que atenderia um pedido de canção. Como de costume, os sons franceses interpretados por Madeleine foram os mais requisitados, como “La Javanaise”.

No meio do show, os dois músicos deixaram a americana sozinha no palco para um momento mais intimista de voz e violão. Foi quando ela emocionou o público, que cantou em coro o sucesso La Vie En Rose, famoso na voz de Edith Piaf e interpretado de forma única por Peyroux. “Vocês gostam mesmo dos sons franceses, não é?”, brincou a cantora.

No retorno dos músicos ao palco, a banda fez uma homenagem ao rei do blues, B.B King, que faleceu recentemente. Com direito a riffs certeiros de guitarra, o trio fugiu um pouco da delicadeza e romantismo do jazz de Madeleine para mostrar suas multifacetas nos fortes acordes de blues.

A banda também arriscou uma versão da música jamaicana “More Time” – Linton Johnson, onde Madeleine toca ukulelê numa espécie de reggae-jazz. Mas, o ponto alto da apresentação aconteceu mesmo quando o trio apresentou uma linda versão para a bossa nova, “Aguá de beber”, de Tom Jobim, num português bem gringo, mas muito sincero.

Entre outras canções apresentadas, conferimos versões criativas de “Fun out of life”, “Half of the perfect world”, “Don’t wait too long”, “Changing all those changes”, “Dance Me to the end of love”, “Careless Love”, fechando com “Keep me in your heart”.

Um show impecável e que, de quebra, ajudou a levar mais esperança para as crianças e adolescentes carentes com câncer, atendidas pelo Hospital Santa Marcelina em parceria com a TUCCA. A próxima apresentação do Música pela Cura é no dia 10 de junho com o bandolinista Avi Avital.

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