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Universo Retrô entrevista Marcelo Nova, vocalista do Camisa de Vênus

5 de outubro de 2016, por Daise Alves e Mirella Fonzar
Música

Na próxima sexta-feira (7), o músico Marcelo Nova promete voltar aos primórdios do rock ‘n roll e levar um show exclusivo de rockabilly ao Rockerama Club, em São Paulo, num especial da Cadillac Rockabilly Party, a partir das 20h. Acompanhado da banda que conta com seu filho Drake Nova na guitarra, o baiano promete um set de sucessos do estilo, ao lado de músicas próprias já consagradas.

Com mais de 35 anos de carreira, o vocalista do Camisa de Vênus descobriu muito cedo o verdadeiro significado do “Wop-bop-a-loom-a-blop-bam-boom”. Em 1989, quando lançou o disco “A Panela do Diabo”, ao lado de Raul Seixas, já mostrava a admiração pelas lendas dos anos 50. Iniciando-se com uma versão de “Be-Bop-A-Lula”, de Gene Vincent, o álbum traz também a canção autobiográfica “Rock ‘n’ Roll”, que cita nomes como Little Richard e Chuck Berry, além de comparar o artista nordestino Genival Lacerda a Elvis Presley e Jerry Lee Lewis.

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Marcelo Nova (Foto: Livia Lamana)

Nascido em Salvador, Bahia, Marceleza – como é carinhosamente chamado por seus fãs e amigos – montou, em 1980, a banda mais polêmica e controversa do Brasil, o Camisa de Vênus, com a qual lançou 7 discos que, somados aos 11 títulos de sua carreira solo, totalizam 18 álbuns. Detentor de uma das obras mais vastas e consistentes do rock nacional, o cantor e guitarrista alterna suas apresentações entre o projeto solo e a icônica banda, que, recentemente, lançou um disco de músicas inéditas. Aproveitando a chegada de seu próximo show, fomos bater um papo com o músico sobre sua carreira, projetos e expectativas para este especial. Confira!

Universo Retrô: Depois de 20 anos, você lançou um disco com músicas inéditas em que consegue manter seu estilo sem parecer uma repetição do passado, como temos vistos em algumas bandas com mais de 30 anos. Como foi possível inovar sem perder a característica e essência do Camisa de Vênus e a personalidade do Marcelo Nova?

Marcelo Nova: A minha personalidade é minha personalidade, não comprei ela na C&A, portanto não costumo ficar pensando em trocá-la. Ela é uma só. Quanto ao Camisa e esse trabalho recente, muito dessa qualidade se deve a Drake Nova, Leandro Dalle e a Celio Glouster, que acrescentaram à banda uma qualidade musical e uma jovialidade que ela tinha perdido com o passar do tempo. E hoje, vinte anos depois, fizemos um disco à altura da história do Camisa, muito graças a esse trio, que, aliás, toca comigo há 8 anos. Eu e Robério Santana ficamos muito à vontade no álbum.

Foto: Livia Lamana

Drake e Marcelo Nova (Foto: Livia Lamana)

Universo Retrô: O que motivou o Camisa de Vênus a lançar um novo álbum depois de tanto tempo?

Marcelo Nova: O desafio. Isso é fundamental para quem trabalha com música, com composição e é inquieto como eu sou. Eu não conseguiria ficar me repetindo e só tocando músicas do passado, como se ele fosse algo intocável e cristalizado e é o que lhe resta. Não penso dessa maneira. Preciso de novas composições, de desafios.

Universo Retrô: Algumas bandas de rock estão se mantendo até hoje, mesmo sem conseguir manter sua qualidade musical. Outras bandas novas estão surgindo, muitas sem grande diferencial. Como você enxerga a cena rock ‘n roll atualmente?

Marcelo Nova: Eu enxergo como sempre enxerguei: de óculos escuros.

Universo Retrô: Mais de 35 anos de estrada. Existe uma fórmula pra longevidade de uma banda como o Camisa?

O Camisa sempre foi uma banda de transformações. Nós tivemos uma formação nos anos 80, outra formação nos anos 90 e agora uma terceira formação em 2016. Eu não acredito em fórmula para música. Nunca me interessou e nunca foi esse o meu objetivo.

Foto: Reprodução

Camisa de Vênus nos anos 1980 (Foto: Reprodução)

Universo Retrô: E em relação ao público? O comportamento está diferente? As pessoas estão mais exigentes com o som? Curtem mais o show?

Marcelo Nova: O público do Camisa hoje é bastante heterogêneo, com senhores de 60 anos, coroas de 40 anos, moleques de 20 anos e crianças de 12 anos. É o resultado de gerações que se sucedem, e acabou sendo uma grande surpresa para mim, confesso, pois, se você procurar hoje, a maioria dos discos do Camisa está fora de catálogo.

Então, eu credito esse tipo de ocorrência, de tocarmos desde o ano passado numa turnê que emendou nessa do disco novo, sempre com casas cheias e para pessoas das mais diversas faixas etárias, à atemporalidade das canções e à durabilidade das mesmas. É gratificante, pois o Camisa é uma banda autoral e calha de eu ser o autor principal da banda, pois faço todas as letras e uma boa parte das músicas, e é realmente muito bom perceber que o meu trabalho não está restrito à uma faixa etária, uma classe social ou uma etnia.

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Marcelo Nova e banda (Foto: Livia Lamana)

Universo Retrô: Nos conte um pouco também de seu projeto solo e da banda que lhe acompanha.

Marcelo Nova: O meu projeto solo agora está colocado à margem no quesito prioridade, pois agora o Camisa de Vênus acabou de lançar um disco e todo o tempo e todos os shows têm sido sob o nome do Camisa. Mas ocasionalmente, de 2015 pra cá, que foi quando o Camisa voltou a atuar com assiduidade, ocasionalmente nós fazemos um show ou outro.

O curioso é que a minha banda é, basicamente, a mesma que integra o Camisa, com exceção do baixista Robério Santana. Minha banda é meu filho, Drake Nova na guitarra, o Leandro Dalle, no baixo (guitarrista no Camisa) e o Celio Glouster, na bateria. Então é muito fácil, a linguagem musical é muito clara, pois nós tocamos juntos há quase 8 anos. Quando surge a oportunidade, estamos todos com o dedo no gatilho.

Universo Retrô: Você sempre teve um envolvimento com o rock ‘n roll clássico e o rockabilly em suas músicas. Qual sua relação com o movimento rockabilly?

Marcel Nova: Bom, eu não tenho relação com movimento nenhum. Quando me taxaram de “punk” nos anos 80, eu dei risada e perguntei se punk usava meia de elanca. Meu pai tinha falecido e tinha deixado algumas meias de elanca para mim, e eu as usava sem me preocupar se isso ia cair bem com o coturno ou com o casaco de couro, e aquelas coisas de uniforme. Então, eu não faço parte de movimento nenhum. O único movimento que eu acredito é o movimento da maré, que enche e esvazia, e esse você vê e sente. O resto é passageiro e transitório.

Foto: Reprodução

Marcelo e o parceiro Raul Seixas (Foto: Reprodução)

Marcelo Nova: E qual era a sua real relação com Raul? Nos conte um pouco sobre a parceria dentro e fora dos palcos.

Marcelo Nova: Minha relação com Raul era de amizade. Antes disso, eu era um fã que ia assistir aos shows de Raulzito, antes dele virar Raul Seixas, com a banda que ele tinha em Salvador, “Os Panteras”. Um dia, já no Camisa, eu tive a honra de receber a visita dele no camarim, e ele foi me conhecer, me procurou, conversamos, e a partir daí se estabeleceu entre nós uma amizade que acabou desembocando numa parceria, que foi registrada no álbum “A Panela do Diabo” (1989).

Universo Retrô: O que podemos esperar do show no Rockerama Club, no próximo dia 7 de outubro?

Marcelo Nova: Uma retrospectiva de topete de toda a minha carreira: clássicos do Camisa de Vênus, canções da minha parceria com Raul Seixas, algumas pinçadas da minha carreira solo e mais alguns covers. Será divertido!

SERVIÇO

Rockerama Club e Hamburgueria
Rua Rui Barbosa, 401 – Bela Vista – São Paulo (SP)
Facebook: https://www.facebook.com/rockeramaclub

Rockabilly com Marcelo Nova
7 de outubro de 2016
Abertura da casa às 20h. Show às 22h.
Preço: R$ 50 na porta ou R$ 45 antecipado, pelo e-mail marcelonovanorockerama@gmail.com
Tel de informações ou venda antecipada: 9 7194 1235 – Falar com Paula Febbe

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