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A conexão entre a banda Pink Floyd e o universo crossdresser

5 de junho de 2017, por Márcia Tirésias
Música
Pink Floyd

Em março fez aniversário de cinquenta anos a canção Arnold Layne, o single que em 1967 rapidamente atingiria o Top 20 britânico e iniciaria a ascensão de uma das bandas de rock mais amadas de todos os tempos: Pink Floyd. Da banda Pink Floyd não é necessário falar muito: é um dos grupos mais bem-sucedidos da História do Rock, contando com legiões de fãs no mundo todo. Foi um dos criadores dos chamados Rocks Psicodélico e Progressivo, e alguns de seus álbuns, como The Dark Side Of The Moon, são considerados obras-primas eternas.

Entretanto, o que poucos sabem sobre eles é que, em seu início de carreira, cinquenta anos atrás, seu debut single teria como tema o Crossdressing, ou seja, o ato de se vestir com roupas do gênero oposto. O personagem Arnold Layne, que dá título à canção, é um rapaz que rouba lingerie dos varais das casas vizinhas para vestí-los.

A composição é de Syd Barrett, então líder da banda, um artista brilhante e no auge de seu processo criativo. Ele montou uma história bem-humorada: a música começa com um tom de “era uma vez”, dizendo “Arnold Layne tinha um hobby estranho”. Em seguida, conta como o rapaz roubava as calcinhas e sutiãs dos varais e depois as vestia escondido em frente ao espelho, admirando a própria imagem. Ao final, ele é preso e condenado. A música termina com uma bronca meio infantil, “Arnold Layne, don’t do it again”, forçando uma rima intencionalmente tosca de “Layne” e “again”.

Quem foi Arnold?

Em entrevista posterior, citada pela Wikipedia sem fontes, Roger Waters, futuro líder da banda após a doença de Syd, conta que “Arnold” foi inspirado em uma pessoa real. Roger era amigo de infância de Syd e eles moravam próximos. Havia uma escola para moças no bairro e muitas casas funcionavam como pensionatos. As mães de Waters e Syd não eram exceção e também faziam de suas casas alojamentos para as estudantes.

Consequentemente, as roupas femininas eram abundantes nos varais. Waters conta que os sumiços de peças do varal aconteciam mesmo e eram devidos a este tal “Arnold”. Entretanto, o próprio Syd, em uma entrevista citada na biografia The Very Irregular Head: The Life of Syd Barrett, diz que “Arnold Layne” é apenas um nome inventado para uma canção pop, nada mais. A ideia do crossdressing seria apenas uma maluquice inspirada na cena do enorme varal da casa da mãe de Waters, cheia de roupas-de-baixo femininas.

Syd Barrett

Syd Barrett (Foto: Reprodução)

O engraçado da canção é que ela descreve muito bem o narcisismo típico do crossdresser. O ato de se admirar em frente ao espelho é muito comum. Além disso, em nenhum momento existe uma crítica do comportamento, mas sim brincadeiras bem-humoradas e até ingênuas. É de se especular como Syd conhecia tão bem o assunto… Seria “Arnold” um amigo íntimo dele, que lhe contava tudo? Ou seria Syd Barrett o próprio “Arnold”?

A polêmica que a banda precisava

Além do tema incomum, a música era bem diferente dos padrões da época: trazia uma guitarra seca, vocais distantes e com eco, um solo interminável de teclados. Era o Rock Psicodélico, influenciado pelas experiências com LSD, que tinha o objetivo de induzir sensações “fora da realidade” aos ouvintes.

The Piper At The Gates Of Dawn

The Piper At The Gates Of Dawn (Foto: Reprodução)

A Radio London, quando entendeu a letra da música, rapidamente a baniu de sua programação, por considerá-la obscena. A Rádio BBC, por sua vez, continuou tocando normalmente. Este era exatamente o tipo de polêmica que a banda precisava, e o nome Pink Floyd tornou-se rapidamente conhecido.

Alguns meses depois, o grupo, visto como muito promissor, foi convidado pela gravadora EMI a fazer seu primeiro álbum. O trabalho foi feito no famoso estúdio Abbey Road, praticamente ao mesmo tempo que os Beatles gravavam as músicas do famoso Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band.

O primeiro álbum do Pink Floyd se chamaria The Piper At The Gates Of Dawn, sucesso instantâneo de crítica, saudado até hoje como um dos melhores trabalhos de rock psicodélico. Iniciava-se assim a trajetória meteórica da banda.

E tudo começou com um crossdresser que roubava calcinhas do varal!

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