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Seis mulheres essenciais para a história do Punk Rock

10 de março de 2016, por Norberto Liberator Neto
Música

O Dia Internacional da Mulher é, talvez, a data com mais comemorações equivocadas que existe no calendário. Muitas supostas homenagens são, na realidade, uma total negação do espírito igualitário que a inspira. “Parabéns às mulheres de verdade” é uma das frases mais corriqueiras. No rock, não é diferente: não é raro vermos a exaltação às fãs do gênero em detrimento das minas que preferem outros estilos musicais.

Como esta coluna é sobre movimento punk e, automaticamente, sobre liberdade, tentarei fugir de tal postura e simplesmente trazer uma lista com mulheres que foram fundamentais para o punk rock existir. Apesar de o estilo ter elevado o discurso da liberdade e da crítica ao sistema em níveis máximos, o padrão do stablishment costuma ser reproduzido no meio, com as mulheres sendo colocadas em segundo plano.

Para refrescar a memória – e espero que nunca se esqueçam –, aqui vai um time de minas que fizeram a história do movimento, sem as quais o punk rock certamente teria outra cara.

Patti Smith

Patti Smith (Foto: Reprodução)

Patti Smith

Muito ligada à literatura, a ianque de Chicago é conhecida como “poetisa do punk”. Intelectual engajada, já escreveu sobre feminismo, pintou, atuou, trabalhou como jornalista, fez recitais e performances artísticas. Mas foi com o Patti Smith Group que ficou mundialmente conhecida. Ela foi sucesso durante os anos 70, no auge do movimento, sendo uma das atrações da Meca do Punk Rock, o bar CBGB.

Passou quase toda a década de 80 afastada da música, retornando em 1988 com uma pegada mais “comercial” do que de costume. Prosseguiu na ativa durante os anos 90, 2000 e 10 (do século 21), e nesse tempo também publicou vários livros de poesia. Além disso, foi militante contra a guerra no Iraque e pelo impeachment de George W. Bush. Patti está na ativa atualmente e não parece que vai parar tão cedo.

Joan Jett

Joan Jett (Foto: Reprodução)

Joan Jett

Entre dez listas de maiores nomes do punk, dez deverão ter o nome de Joan Jett. Nas de mulheres mais bem­sucedidas do rock, a regra também vale. Sua alcunha é “a rainha do rock ‘n roll”, e não é para menos. Nascida no subúrbio da Filadélfia e remanescente da geração que decolou o mítico bar CBGB, foi frontwoman da lendária banda feminina The Runaways.

Além de ter feito muito sucesso com sua carreira solo e de ser uma das primeiras, se não a primeira mulher a começar sua própria gravadora, é uma das duas únicas minas na lista dos 100 maiores guitarristas da revista Rolling Stone, junto à diva folk Joni Mitchell. Já fez diversas parcerias, como com Sex Pistols, Lemmy Kilmister e Steve Jones – o que, é óbvio, não é nenhuma honraria especial para seu currículo, já que Joan é uma lenda por si própria.

Chrissie Hynde

Chrissie Hynde (Foto: Reprodução)

Chrissie Hynde

Pode haver quem diga que ela é até mais new wave do que punk, mas o fato é que a eterna líder dos Pretenders é muito atitude e praticante assídua da filosofia DIY, ou Do­ it­ yourself – faça você mesmo.

Tanto é que, na história da banda, ela é o único membro permanente: mesmo com diversos problemas, além do vai e vem de músicos, Chrissie jamais desistiu de seu som, sempre segurando as pontas e mantendo o controle.

Apesar de ter feito a carreira na Inglaterra dos primórdios do punk, ela nasceu em Ohio. Mas o fato é que Chrissie é uma cidadã do mundo, e uma prova disso é que em 2004 veio morar no Brasil, onde firmou uma parceria musical com Moreno Veloso, filho do patrimônio nacional Caetano.

E ela não para: em 2014, lançou seu primeiro álbum solo, além de cada vez mais se notabilizar pela militância em prol dos direitos animais e da dieta vegetariana, sendo inclusive ligada ao PETA.

Kira Roessler

Kira Roessler (Foto: Reprodução)

Kira Roessler

Ela começou a tocar no underground estadunidense com a banda DC3, quando foi “descoberta” pelos caras do Black Flag em Los Angeles. A lendária banda pioneira do hardcore precisava de um novo baixista, em substituição a Chuck Dukowski.

Quando viram Kira tocar, não tiveram dúvidas: ela era “o cara”. Ela topou, desde que isso não atrapalhasse sua faculdade de engenharia na capital californiana.

A condição foi aceita e o Black Flag teve de adaptar sua turnê ao calendário acadêmico da mina. O irônico disso é que ela saiu da banda no ano em que se formou, em 1986. Ao sair do Black Flag, formou o duo Dos, com o então futuro (ex) marido Mike Watt.

Hoje, Kira trabalha como roteirista de cinema, tendo colaborado em Confissões de Uma Mente Perigosa, Sob o Sol da Toscana e (pasme!) a saga Crepúsculo, além de alguns documentários. Em 2003, tocou com os ex­colegas em um disco tributo ao Black Flag.

Debbie Harry

Debbie Harry (Foto: Reprodução)

Debbie Harry

Essa mina nascida em Miami e radicada em Nova Iorque é uma das espinhas dorsais do movimento punk nos States. Antes de se envolver com a música, chegou a ser coelhinha da Playboy. Com o Blondie, participou da “geração CBGB” e tocou o terror em quem achava escandaloso uma mina com aparência dita “delicada” cantar esse tipo de música. Namorou Joey Ramone e até hoje diz que ele foi o homem mais sexy que ela já conheceu, mas isso está bem longe de ser o que a faz tão foda.

Debbie não é a ex do Joey, é Debbie Harry, ela própria um mito da história do Rock. Além do punk, também ajudou a fundar o new wave, ao misturar ao som pitadas de pop e disco music. Foi nessa fase que o Blondie mais fez sucesso, e que Debbie foi considerada um dos maiores sex symbols dos EUA. Mais tarde, ela também atuou no cinema cult, sendo parte de mais de trinta filmes.

Amy Miret

Amy Miret (Foto: Reprodução)

Amy Miret

Talvez a mais crua da lista em termos de som, Amy é a “diva” (se é que aceitaria este rótulo) do crust punk, um subgênero de apelo underground, com influência do metal, mais sujo e pesado do que o punk tradicional. No crust, a questão política presente no movimento é potencializada, havendo um alinhamento ideológico de extrema esquerda, geralmente anarquista.

A banda nova­iorquina Nausea foi uma das precursoras dessa galera, com seu som bastante pesado e suas letras, que abordavam críticas ao governo Reagan e à política bélica não só dos EUA, como também da URSS.

A principal cabeça por trás disso era Amy, que além de vocal da banda, era militante feminista, ambientalista e anti­especista (a favor dos direitos animais). Desde os anos 90, ela vive reclusa e afastada da música. Um dos poucos registros de sua imagem desde então é um documentário de 1999 sobre a cena punk de Nova Iorque.

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