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O carnaval brasileiro no tempo das marchinhas

5 de fevereiro de 2016, por Aurora D'Vine
Lifestyle
Carnaval

A festa mais tradicional do Brasil já foi interpretada por diversos cantores, que levavam alegria em suas marchinhas, canções conhecidas pela grande maioria. 

Que o Carnaval é uma das festas mais tradicionais do Brasil, a gente já sabe. Tanto que, alguns até brincam já que para os estrangeiros, a nossa terra se resume em futebol, mulher e Carnaval. Hoje estamos acostumados a uma festa diferenciada, que acontece em diversos pontos do Brasil, seguindo roteiro variado. Em Olinda, por exemplo, o tom da brincadeira se dá pelos blocos tradicionais e os bonecos que levam o nome da cidade.

No Rio de Janeiro e em São Paulo, os sambódromos são a grande pedida, recebem milhares de pessoas, que vestem a camisa de suas agremiações favoritas, aguardando pelo desfile dos carros alegóricos e das beldades. Mas hoje, seja no interior ou na capital, os antigos blocos de marchinhas sobrevivem ao tempo e, também, arrastam muitos foliões, que não abrem mão de cantar e dançar ao som dos gêneros populares.

Linda e Dircinha Batista

As irmãs Linda e Dircinha Batista são as detentoras das mais famosas marchinhas de Carnaval (Foto Reprodução)

As irmãs Linda e Dircinha Batista são as maiores interpretes de marchinhas da história. Linda chegava a gravar cinco LPs só durante o Carnaval. Entre os grandes sucessos das irmãs estão, “Bis, Maestro, Bis”, “Batuque no Morro”, “Nega Maluca”, “Ó Abre Alas”“Quero Morrer no Carnaval”, “O Sanfoneiro Só Tocava Isso”, “Tirolesa”, “Máscara da Face”, entre outros. Linda e Dircinha eram amigas íntimas do ex-presidente Getúlio Vargas e era no Palácio do Catete onde muitos shows aconteciam. Linda, nos áureos tempos da Rádio Nacional, tornou-se rainha – reinado que permaneceu por onze anos.

Carmen Miranda

Carmen Miranda foi aclamada como a maior cantora do Brasil após o sucesso de Taí (Foto: Reprodução)

Nos anos de 1940, Carmen Miranda já embarcava para Hollywood e Linda se fez, no Brasil, a grande referência, até pelo fato de nunca ter cantado em outra língua que não fosse a nossa. Estrela máxima, ela desenvolveu sua própria identidade, já que na época muitas cantoras seguiam a cartilha deixada por Carmen.

Falando na pequena notável, seu grande sucesso veio em 1930, com a machinha “Pra Você Gostar de Mim” (Taí), de Joubert de Carvalho. Nessa época, Carmen Miranda já era apontada pelo jornal “O País” como a maior cantora brasileira. Em 1933, ajudou a lançar a irmã Aurora Miranda – famosa por gravar “Cidade Maravilhosa”, hino oficial da extinta Guanabara, em dupla com o compositor André Filho, em 1934. Ela, ainda, atuou nos filmes “Alô, Alô, Carnaval” (1936), “Estudantes” (1935) e “Alô, Alô Brasil” (1935).

Além de Carmen, muitos cantores ganharam a fama por compor e interpretar marchinhas, entre eles, Emilinha Borba, Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas, Jorge Veiga e Blecaute. Muitas canções compostas por João de Barro, o Braguinha; Alberto Ribeiro; Noel Rosa; Ary Barroso e Lamartine Babo. A marchinha, destinada expressamente ao Carnaval Brasileiro, passou a ser produzida com regularidade no Rio de Janeiro, a partir de composições de 1920, atingindo apogeu até o final da década de 1950, e entrando em declínio na década de 1960, com a bossa nova que se tornava a nova onda.

Máscaras e Fantasias

O Carnaval chegou ao Brasil em meados do século XVII, sob influência das festas que aconteciam na Europa. A Colombina, o Pierrô e o Arlequim tiveram origem na Comédia Italiana, companhia de atores que se instalou na França com objetivo de difundir a Commedia Dell’Arte. O Pierrô vem como uma figura ingênua, sentimental e romântica. É apaixonada pela Colombina, caricatura sedutora e amante de Arlequim, rival de Pierrô – que representa o palhaço farsante e cômico.

Pierrô e Arlequim

Pierrô e Arlequim ainda figuram como os mais importantes personagens do
Carnaval (Foto: Reprodução)

As máscaras e fantasias passaram a ser difundidas no Brasil durante a primeira metade do século XIX. O primeiro baile de máscaras foi realizado pelo Hotel Itália, no Largo do Rocio, Rio de Janeiro. A ideia logo virou hábito e contagiou a cidade. Porém, o Carnaval contribuiu para marcar as gritantes diferenças sociais. Enquanto o Carnaval do salão agradava a elite e as classes emergentes, o povo ficava do lado de fora, nas ditas festas de rua.

Mesmo com o grande sucesso dos bailes de salão, foi na esfera popular que o evento adquiriu formas genuinamente brasileiras. A primeira música feita exclusivamente para o Carnaval foi a marchinha “Ó Abre Alas”, composta para o cordão Rosa de Ouro, pela maestrina Chiquinha Gonzaga, em 1899.

Pintar rosto, beber e dançar eram características marcantes de um Carnaval que tinha início nas festas pagãs, há quatro mil anos antes de cristo. Suas comemorações são diversas e o Brasil conseguiu tornar o seu Carnaval o mais apreciado em todo o mundo, por sua diversidade que agrada desde os mais jovens até senhores.

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