Wild Woman é o tema da nova Produção Fotográfica Original do Universo Retrô inspirada no passado primitivo da “Mulher das Cavernas”. Estamos indo para a oitava edição do Pin-Up do Mês da plataforma de conteúdo nostálgico e a sétima com participação de Miss De-Lovely e minha (Miss Daisy).
Diferente dos demais ensaios fotográficos que realizamos, as nossas produções pessoais para o Pin-Up do Mês têm um toque especial, já que, além de marcar o aniversário do site, são seguidas pelo mês dos nossos aniversários, respectivamente. Por isso, sempre tentamos trabalhar com temas que têm a ver com a nossa essência, personalidade e que contem alguma história, em julho e agosto.

Depois dos ensaios produzidos em um contexto pandêmico (Cigana, Pirata, Lar Doce Lar e Rock House) e dois outros mais otimistas com o retorno da “normalidade” (Sol e Lua), para a nossa 7º edição fomos nos inspirar no passado e no futuro (que vocês verão em breve) e como eles se conectam entre si no presente.
Como no contraste que vemos nos desenhos Os Flintstones (Idade da Pedra) e Os Jetsons (Futuro automatizado), dos estúdios Hanna-Barbera. Ironicamente, em um contexto geral, em muitas questões parece que estamos anos à frente, em outras, a sensação é que realmente paramos no passado.

O editorial Wild Woman
O ensaio inspirado nessa idealização da mulher selvagem do tempo das cavernas foi clicado pela fotógrafa oficial do Universo Retrô, Tainá Lossëhelin, no Parque Estadual do Juquery, localizado nos municípios de Caieiras e Franco da Rocha. O local possui uma área de preservação importante, principalmente por ser o único remanescente de Cerrado na Região Metropolitana de São Paulo. Pouco conhecido pela grande maioria da população local e arredores, a escolha do parque para essa proposta foi justamente para dar esse tom de mata virgem, distante da cidade grande.

O editorial contou com dois figurinos, sendo o primeiro uma réplica da vestimenta usada nas fotografias de Bettie Page, num ensaio com a fotógrafa Bunny Yeager em 1954, produzido pela marca Rainbow Pin-Up Store. Aqui, damos um toque mais vintage para a produção, inclusive, com o penteado “faux bangs”, remetendo à famosa franjinha “bettie bangs” e muito usado nos anos 1950 para transmitir a ideia de franja.
O segundo foi uma adaptação handmade, na qual estilizamos uma saia de camurça e amarramos um lenço no corpo para formar um top. Nessa versão, trazemos uma proposta mais rústica para essa ideia de Mulher das Cavernas, com inspiração mais próxima dos filmes produzidos nos anos 1960 e 1970. Mas, ambos, com a ideia de retratar essa vestimenta primária como o toque vintage.

Destaque também para os artefatos produzidos pelo artesão Rush Claymore (lança, faca e machado) que foram feitos exclusivamente para esse ensaio de forma totalmente manual, com madeira lapidada, pintura e couro.

Inteligência Artificial
A imagem abaixo é um exemplo de quando falamos que passado, presente e futuro se conectam por meio da arte. Apesar de idealizar um passado, utilizamos de um recurso com viés futurista, a inteligência artificial, para inserir os guepardos na imagem.

Wild Woman: Inspirações
Wild Woman se inspira no passado da mulher primitiva atrelado à estética Pin-up. Esse é um contexto bastante explorado nesse universo com o uso das estampas de animal print, que fazem uma alusão ao uso de peles de animais selvagens como recurso de proteção nos primórdios da humanidade ou de poder, luxo e ousadia em séculos mais recentes.

No meio vintage, a estampa foi eternizada no clássico ensaio com leopardos protagonizado pela rainha das pin-ups Bettie Page e clicado por Bunny Yeager, e com outras divas do século XX, como Carmen Miranda e Ava Gardner, além de alguns filmes da época como “Tarzan e a Mulher Leopardo” (1946), no qual a personagem Lea (Acquanetta) tem como parte principal do seu figurino a estampa de animal print.
A estampa também virou um forte elemento da moda, constando em coleções de grandes nomes como Schiaparelli e Dior e se tornando um elemento atemporal que pode ser encontrado desde as marcas luxo até as lojas mais populares.

Universo Selvagem e Pré-História na Cultura Pop
Quadrinhos
Outra fonte de inspiração para esse projeto foram as famosas capas pulp novel como Sheena (1937), Tiger Girl (1944), Princess Pantha (1946), Cave Girl (1952), Rima (1952), Jann of the Jungle (1955), entre outras personagens das antigas histórias em quadrinhos retratadas como heroínas da selva fortes, ferozes, boas lutadoras, sempre com lanças, facas e outros artefatos de defesa.

Cinema
Assim como a indústria cinematográfica é obcecada pelo futuro, idealizar o passado também não é diferente. Desde os primórdios do cinema com O Passado Pré-Histórico (1914) com Charlie Chaplin, passando pela era de ouro de Hollywood, até chegar nos filmes B dos anos 60 e 70, os filmes sobre a pré-história, idade da pedra e vida selvagem, assim como os futuristas, sempre tiveram seus momentos de glória.

O filme Uma Odisseia no Espaço (1966) mostra bem essa conexão entre passado e futuro. Com foco no passado pré-histórico, ainda podemos mencionar Mil Séculos Antes de Cristo (1940 e o remake de 1966), Mulheres Pré-Históricas (1967), Quando os Dinossauros Dominavam a Terra (1970), Criaturas Que o Mundo Esqueceu (1971), apenas para citar alguns.
Música
Na música, a proposta de uma mulher selvagem também pode ser vista em um contexto mais contemporâneo, trazendo um sentido de libertação em diversas composições. No meio pop, a música “Roar” da cantora Kate Perry, lançada em 2013, é praticamente um grito de liberdade, e no clipe, lançado no ano seguinte, a cantora cria um universo de savana em que ela se liberta na mata selvagem.

No clipe Wild Woman, do quarto álbum da cantora Imelda May, Tribal (2014), de quando ela ainda era inserida no meio rockabilly, a mensagem de uma mulher presa que precisa se libertar também é evidente.
Para os nostálgicos da cultura popular dos anos 90, o álbum É o Tchan na Selva (1999), do grupo É o Tchan, também trazia uma estética visual inspirada na floresta e outros ícones e referências da cultura pop como Tarzan e Os Flintstones.

Daisy Jungle: Conexão Tema e Modelo
Apesar de ser bastante urbana, sempre conectada, coletora de informações, analista de tendências, antenada nos memes, trabalhar com o digital e ser bastante disciplinada como uma boa virginiana, minha lua em sagitário faz com que eu queira sempre viajar, sair por aí, conhecer lugares novos, ter contato com a natureza e quebrar minha rotina para sair da mesmice.

Mesmo adorando todo o glamour carregado no visual vintage, sempre fui mais prática e funcional. Já fazia um tempo que queríamos mostrar esse meu lado mais aventureira e essa foi uma forma de idealizar esse lado “selvagem in natura”, atrelado a estética pin-up e fotografia vintage.

Ouça no Spotify
Preparamos uma playlist especial para você entrar ainda mais no clima selvagem pré-histórico. Aperta o play.

Ficha Técnica
Idealização e Realização: Universo Retrô
Modelo e Beleza: Miss Daisy
Fotografia: Tainá Lossëhelin
Produção e Beleza: Mirella Fonzar
Figurino 1: Rainbow Pin-Up Store
Figurino 2: Handmade
Artesão: Rush Claymore